Akira Kurosawa é um diretor japonês conhecido tanto por sua prerrogativa humanista quanto por seus grandes e emocionantes épicos marciais.
Sete Samurais, A Fortaleza Escondida, Yojimbo, Sanjuro, Kagemusha, Ran e O Trono Manchado de Sangue são, normalmente, os primeiros filmes que as pessoas lembram quando o nome do diretor é citado.
Pegando estes exemplos, podemos dizer que a arte marcial e guerra são elemento recorrentes da sua cinematografia. Até mesmo em O Barba Ruiva, um filme sobre um médico numa periferia de Koishikawa, existe uma cena de luta.
Para muitas pessoas, humanismo é algo que e evoca necessariamente um pacifismo; algo que rejeita qualquer idéia de confronto e luta.
A ética marcial pode, no primeiro momento, parecer algo completamente alheio a este tipo de apelo. Seria algo selvagem, pré-civilizacional, onde as coisas eram conquistadas com a força bruta.
No entanto, a arte-marcial é exatamente o oposto disso. A arte-marcial é civilização pura.
A civilização não é a anulação da agressividade e da violência, mas a racionalização e a dominação dela, fora do seu aspecto original primitivo e selvagem.
Kurosawa é um diretor que conseguiu dissolver essa aparente contradição desenvolvendo a ideia de combate juntamente com a ideia de justiça, desenvolvimento e até mesmo ascetismo.
Seu primeiro filme, A Saga do Judô, vemos como ética marcial é colocada em uma perspectiva além do contexto de luta. Akira Kurosawa transforma os personagens deste filme em vitrines das tensões culturais da Era Meiji.
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