Yojimbo é um filme de 1961 dirigido e editado por Akira Kurosawa.

O roteiro é mais um fruto da parceria de Kurosawa com Ryūzō Kikushima e Hideo Oguni, que já haviam trabalhado com o diretor em filmes como Sete Samurais (1954) e Fortaleza Escondida (1960).

O filme é estrelado por Toshiro Mifune, que interpreta o papel principal.

Na trama, um rōnin (um samurai sem mestre) chamado Sanjuro chega a uma pequena cidade chamada Machi, onde duas facções criminosas concorrentes disputam o controle.

Ao perceber as habilidades do forasteiro, as duas facções tentam contratá-lo como guarda-costas (yojimbo).

Aproveitando-se da situação, Sanjuro decide utilizar suas habilidades de negociação. Ele percebe rapidamente que pode manipular as duas facções e lucrar com isso, criando um jogo duplo para explorar a rivalidade entre elas e aumentar seu poder e lucro.

No entanto, Sanjuro começa a testemunhar a crueldade e a injustiça praticadas pelos membros das gangues, e isso o coloca em uma encruzilhada moral, onde precisa decidir entre sua sede de poder e sua consciência. Ao mesmo tempo, ele se envolve com uma jovem mulher chamada Nui e um comerciante honrado chamado Gonji, que buscam justiça e a restauração da paz em Machi.

Yojimbo é um filme que veio na esteira de Sete Samurais (1954) e Fortaleza Escondida (1960) – filmes que se tornaram marcantes na faceta mais conhecida de Akira Kurosawa como diretor de épicos samurais que carregam elementos de aventura, comédia e filosofia humanista.

A diferença de Yojimbo em relação a Sete Samurais e Fortaleza Escondida, no entanto, se manifesta de forma evidente logo nos primeiros minutos do filme.

A famosa cena em que um cachorro leva a mão decepada de um desafortunado logo na entrada da cidade onde se passa a história do filme apresenta um aspecto de Kurosawa pouco explorado em filmes anteriores: o humor negro.

Esse humor negro assume uma tonalidade mais mórbida do que tudo o que o diretor havia feito antes.

O herói e o cenário também apresentam diferenças significativas em relação aos outros épicos de samurai de Akira Kurosawa.

Em relação ao cenário, ao invés das cenas expansivas e panorâmicas de Sete Samurais e Fortaleza Escondida, temos um ambiente claustrofóbico e fechado.

Quanto ao herói, Sanjuro é o menos heroico dos heróis e sua condição de ronin se encaixa perfeitamente em sua persona.

Como ronin, ele não deve lealdade a um mestre (algo essencial no Bushidô) e, portanto, pode trocar de lado livremente quando achar conveniente.

Isso reflete uma época em que prevalece uma crise de valores generalizada no Japão. No entanto, sua amoralidade, embora imperfeita, ainda é muito mais honrada do que a dos seus mestres criminosos, e por causa disso, sua liberdade de ação não conhece limites.

No início do filme, Sanjuro é apresentado como um mercenário itinerante que vai para onde o destino o leva e negocia seu serviço pelo melhor pagamento.

No entanto, mesmo assim, ele possui uma ética – algo que não é encontrado na maioria dos personagens do filme. Ele luta por dinheiro, mas nunca aceita receber mais do que lhe é devido.

Sanjuro é um sujeito ganancioso (embora não seja exageradamente ganancioso), intransigente e cínico. No entanto, ele é “honesto dentro de sua amoralidade” e consegue se mostrar valente e empático em situações de extrema injustiça, como mencionado anteriormente.

Ele está muito acima de seus contratantes, onde suas falhas grotescas de caráter são refletidas até mesmo em anormalidades físicas.

O filme recebeu críticas extremamente positivas e, ao longo dos anos, tornou-se amplamente considerado como um dos melhores e mais influentes filmes já feitos por Kurosawa.

Sua influência se espalhou globalmente e até mesmo levou a uma versão não oficial “Western Spaghetti” dirigida por Sergio Leone em “Por Um Punhado de Dólares” (1965), o que resultou em um processo legal por parte dos Estúdios Toho contra o diretor italiano.

Falando sobre influências, Kurosawa afirmou que uma das principais fontes para o enredo foi o clássico filme noir de 1942, “The Glass Key”, uma adaptação do romance de 1931 de Dashiell Hammett, assim como o livro “Red Harvest” (também de Dashiell Hammett).

É interessante notar como Yojimbo representa um circuito cultural que vai do Ocidente para o Oriente e do Oriente para o Ocidente.

Na concepção de Yojimbo, Kurosawa buscou referências no cinema noir e na literatura policial inglesa, transportando-as para o solo japonês em um filme de época e transformando esse intercâmbio em um produto cultural de referência para o cinema western italiano.

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