Há um caso de ciúmes muito peculiar em Quincas Borba. Não sei se se trata, de fato, de ciúmes, e o próprio Machado não encontra uma palavra exata que se adeque à situação.
Sofia, uma das personagens, não ama Rubião, que chegou a se declarar para ela em determinado momento da história (mesmo sabendo que ela era casada). Ainda assim, ela procura encaminhá-lo para outra, já que Rubião é sócio de seu marido e presença constante em sua casa. Sofia tenta arranjar-lhe um casamento com Maria Benedita, sua parente, e parece bastante confiante nessa empreitada.
No entanto, no instante de indicar Rubião como futuro pretendente, Sofia não consegue pronunciar seu nome. Por algum motivo, percebe que o perderia. Não porque o amasse, não porque o desejasse para si, tampouco porque estivesse disposta a abandonar o marido. Nada disso. O que ela não queria era ver aquela situação mudar.
Para descrever esse sentimento, Machado recorre ao “ciúme de Otelo” ou ao “ciúme do cavaleiro Des Grieux”: não o ciúme do amor, mas aquele em que alguém não quer ceder o que não deseja possuir.
E isso é absolutamente comum. Todo homem já passou por isso. Se você ainda não sabia como nomear essa situação, pode chamá-la, a partir de agora, de “ciúme de Sofia”.
