Papa Francisco e o Luto por um Rei

Uma das piores coisas que a Internet fez ao nosso imaginário foi dissociar opinião de presença.

Não que eu também não seja afetado por isso, mas hoje procuro dizer as coisas — certas ou erradas — sempre imaginando meu corpo presente ao dizê-las.

Não costumo falar nada que eu não diria presencialmente.

Essa consciência, às vezes, me escapa. Também estou mal acostumado com o mundo virtual. Mas ela sempre retorna com força em momentos de morte — porque me imagino presente no velório.

Não, não quero dizer que “sinto” todas as mortes. Tampouco sinto vontade de opinar.

Até porque “sentir” e “opinar” são coisas superestimadas.

É claro que algumas mortes me atingem mais do que outras.

Mas, em todas, tento oferecer ao menos a dignidade das condolências, da formalidade ou, se não for capaz disso, do silêncio.

Os católicos vivem um eterno medievo dentro do mundo moderno.

A morte de um Papa é, literalmente, a morte de um monarca. E a nós, meros vassalos, só nos resta tirar o chapéu.

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O podcast é apresentado por Gabriel Vince. Já foi estudante de filosofia, história, programação e jornalismo. Católico, latino e fã de Iron Maiden. Não dá pra ser mais aleatório que isso.

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