Uma das piores coisas que a Internet fez ao nosso imaginário foi dissociar opinião de presença.
Não que eu também não seja afetado por isso, mas hoje procuro dizer as coisas — certas ou erradas — sempre imaginando meu corpo presente ao dizê-las.
Não costumo falar nada que eu não diria presencialmente.
Essa consciência, às vezes, me escapa. Também estou mal acostumado com o mundo virtual. Mas ela sempre retorna com força em momentos de morte — porque me imagino presente no velório.
Não, não quero dizer que “sinto” todas as mortes. Tampouco sinto vontade de opinar.
Até porque “sentir” e “opinar” são coisas superestimadas.
É claro que algumas mortes me atingem mais do que outras.
Mas, em todas, tento oferecer ao menos a dignidade das condolências, da formalidade ou, se não for capaz disso, do silêncio.
Os católicos vivem um eterno medievo dentro do mundo moderno.
A morte de um Papa é, literalmente, a morte de um monarca. E a nós, meros vassalos, só nos resta tirar o chapéu.
