HIM – A Minecraft Horror Movie é um curta-metragem de animação e terror psicológico criado pelo artista e animador Marcus Yu (conhecido nas redes sociais como @poptartguap).
O curta foi lançado originalmente em fevereiro de 2025 no YouTube.
O projeto reimagina o mito do lendário Herobrine, uma versão sombria do personagem principal de Minecraft, Steve.
O que é Minecraft?
Para quem, assim como eu, ficou alheio ao fenômeno Minecraft, trata-se de um jogo feito inteiramente de blocos de montar (como Lego), onde tudo pode ser destruído e reconstruído.
O jogo não possui uma história obrigatória nem um “manual de instruções”. Você é livre para jogar de duas formas principais: o modo sobrevivência e o modo criativo.
No modo sobrevivência, você começa sem nada. Precisa socar árvores para conseguir madeira, construir ferramentas, minerar carvão e ferro e erguer uma casa. À noite, monstros, como zumbis, esqueletos e os famosos Creepers, que explodem, aparecem para atacá-lo. Você também precisa comer para não morrer de fome.
No modo criativo, você é invencível, pode voar e dispõe de blocos infinitos. Esse modo é usado exclusivamente para construir castelos, cidades ou qualquer outra coisa que sua imaginação permitir.
Steve é o “personagem padrão” com quem você começa a jogar. Ele é um homem simples, com uma camiseta azul-clara e calça jeans azul-escura, sem falas, sem poderes especiais e sem uma história de origem.
Conforme o jogador avança no modo sobrevivência, Steve deixa de ser um simples sobrevivente e se transforma em um guerreiro poderoso, vestindo armaduras de diamante ou netherite e derrotando dragões.

A lenda do Herobrine
O Herobrine é a maior e mais famosa lenda urbana do universo de Minecraft. Ele é descrito como uma versão fantasmagórica de Steve, mas com uma diferença marcante: seus olhos são completamente brancos e brilhantes.
O mito surgiu em 2010, em um fórum da internet, o 4chan. Um usuário publicou um relato afirmando ter visto um personagem estranho, com olhos brancos, surgindo no nevoeiro de seu mundo no modo singleplayer.
Pouco tempo depois, um streamer chamado Copeland forjou uma transmissão ao vivo em que o Herobrine aparecia em uma sala escura, assustando a comunidade e ajudando a viralizar o personagem mundialmente.
Dentro da história criada pela comunidade, existem duas teorias principais sobre a identidade do Herobrine.
A primeira teoria é que ele seria o irmão falecido de Markus Alexej Persson, mais conhecido como Notch, criador do jogo, que teria sido secretamente programado dentro de Minecraft.
Outros acreditavam que ele era um vírus de computador ou uma inteligência artificial maligna que invadia os mundos dos jogadores para persegui-los.
Segundo os relatos da lenda, o Herobrine não ataca o jogador de imediato. Ele prefere causar terror psicológico. Cria pirâmides perfeitas de areia no oceano, escava túneis perfeitamente alinhados no formato 2×2 e arranca todas as folhas das árvores.
Outro comportamento frequentemente relatado é o de observar o jogador à distância, escondido no nevoeiro ou atrás de estruturas, desaparecendo assim que alguém tenta se aproximar.
O filme
O filme de Marcus Yu acompanha a história sob o ponto de vista de um NPC (Non-Player Character, ou Personagem Não Jogável): um aldeão (villager), mais especificamente um ferreiro.
Esse aldeão começa a ser atormentado e caçado por uma entidade assustadora conhecida apenas como “HIM” (Ele), que seria o próprio Herobrine.
Inicialmente, essa entidade se apresenta como uma sombra de olhos brilhantes e, ao longo do filme, assume uma aparência cada vez mais monstruosa.
Marcus Yu imprime à animação um tom de fantasia sombria. Acredito, inclusive, que nem seja necessário conhecer o jogo para apreciar o filme. Em primeiro lugar, porque a obra se afasta do visual tradicional de Minecraft, preservando apenas alguns elementos característicos, como as casas construídas em blocos.
De resto, trata-se de uma animação de terror com identidade visual própria, cujo foco está na atmosfera, na tensão psicológica e no estilo, aspectos que caminham de forma relativamente independente do jogo original.
Também acredito que não seja necessário conhecer o Herobrine nem toda a sua lenda para acompanhar a narrativa.
O diretor utiliza o isolamento da vila e o silêncio de forma bastante cinematográfica, algo que qualquer apreciador de suspense tende a reconhecer e valorizar.
Minha impressão
Não quero apontar defeitos no filme, até porque gostei dele. Ainda assim, particularmente, gostaria que a produção se aproximasse mais da estética do jogo, assumindo inclusive seus gráficos quadrados e aparentemente infantis.
A lenda urbana do fantasma que invade a programação do jogo e interage com os jogadores me pareceu muito mais perturbadora. Ela me remete ao “terror oriental”, em que maldições se manifestam por meio da tecnologia, como em Ringu e Kairo. Existe nessa ideia algo profundamente misterioso, sem explicação, e até mesmo lovecraftiano.
A tecnologia deixa de ser apenas um cenário e passa a funcionar como um veículo para o sobrenatural. O Herobrine se transforma em uma espécie de ghost glitch, uma entidade que corrompe justamente aquilo que deveria ser completamente seguro e inocente: um simples jogo.
Conclusão
No fim das contas, HIM – A Minecraft Horror Movie funciona muito bem como uma obra de terror independente. Mesmo para quem nunca jogou Minecraft, sua atmosfera, o ritmo e a construção da tensão são suficientes para envolver o espectador.
Marcus Yu demonstra compreender como o horror nasce muito mais da sugestão do que da exposição (embora, em determinado momento do filme, ele exponha bastante a criatura).
Ainda assim, terminei o filme com a sensação de que a própria lenda do Herobrine original continua sendo mais tenebrosa. Existe algo profundamente inquietante na ideia de uma entidade que não pertence à narrativa oficial do jogo, mas que parece habitar suas margens, como um erro impossível de ser corrigido ou uma presença que jamais deveria existir.
Assista o filme aqui:
