Uma das coisas que honestamente mais me irrita é a perversão do amor cristão como salvo-conduto para bandido.
É uma violação completa do ícone do Pantokrator, que traduz a figura de Cristo como a figura paradoxal do amor infinito e da justiça implacável.
O aspecto da justiça divina é traduzido perfeitamente na música The Man Who Comes Around, do Johnny Cash, que figura Jesus como um exterminador.
Extraindo a figura da justiça divina, perdoar se degenera em “não punir”.
Quando falamos da figura de São Dimas (o bom ladrão), pervertida na letra dos Racionais, devemos lembrar que ele reconheceu que merecia morrer por seus crimes:
“Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este [Jesus] nenhum mal fez.”
Existe, sim, a figura do bom ladrão como arquétipo evangélico. Certamente não é aquele que foge para o mato trocando tiros com policiais.

