Patterns of Consciousness é o segundo disco de estúdio de Caterina Barbieri, lançado em 2017.

Assim como o disco anterior, Vertical, este disco também se baseia em sintetizadores Buchla 200 e sobrevoa estilos eletrônicos sob uma estética minimalista. No entanto, as semelhanças param por aí. Não temos aqui os vocais, os toques de techno, os elementos de drone e as texturas elétricas presentes no trabalho anterior.

As músicas de Patterns of Consciousness parecem ser mais “digitais”, “espaciais”, “fractais” e “alienígenas”.

Vemos as músicas se formando aos poucos, acumulando-se em sons fragmentados que vão emoldurando o espaço sonoro, enquanto camadas são sutilmente adicionadas e retiradas da música, sem que você perceba.

Concordo bastante com a ótima resenha do disco no site Psychotropic Wonderland. Barbieri mantém os efeitos sutis, mas seus ajustes constantes são mais do que suficientes para manter seus temas se renovando a todo momento: nada é estático e todos os diversos elementos estão em constante transformação uns em relação aos outros, deixando um rastro nebuloso de imagens residuais.

O disco consegue, paradoxalmente, combinar rigidez digital com dinâmica orgânica.

Diferentemente do que se entende por música eletrônica, não acho que haja aqui “repetição” pura e simples, como num círculo fechado.

Por mais que existam loops, o sentido das músicas é espiral e contínuo. Os loops não são fixos e travados em um grid. O som se move. Nenhum momento é exatamente igual ao anterior.

Acho muito interessante que outras pessoas também tenham notado esse mesmo desenho.

Há também neste disco uma abordagem junguiana de “mandala” que foi muito bem explicada em um artigo de Raul Cardoso, que pode ser lido aqui.

No entanto, destaco, em especial, este trecho, onde Raul menciona o mesmo desenho espiral que eu percebi ao ouvir o disco:

“Sua pesquisa em música clássica hindustani, faz perceber suas influências orientais análogas ao mito do eterno retorno, ou um movimento circular e cíclico, potencialmente infinito. Cada repetição em suas músicas não é um simples retorno, mas um giro da espiral; uma variação que cria uma nova camada, sobrepõe e compõe um desenho sonoro novo a cada instante e que se torna mais complexo. Quanto aos sintetizadores, convocam a uma introspecção, uma contemplação, anunciando uma transcendência latente que só é possível por meio da arte, ou mais precisamente, a Beleza de todo o processo como uma sinfonia rítmica e hipnotizante que vai sendo construída nota a nota diante de seus ouvintes, similar ao processo de individuação da psicologia analítica, conduzindo o ouvinte para um ponto de convergência interior.”

Vale muito a pena ler o artigo.

Para Carl Jung, a mandala é uma representação geométrica do Self, o centro da totalidade psíquica, e uma ferramenta de meditação para organizar o caos interno. Raul explica como esse conceito está impregnado no disco.

Por falar em meditação, se há alguma palavra que vi sendo usada com frequência para descrever esse disco, é essa: “meditativo”.

Não discordo nem um pouco. As sequências de sintetizador de Patterns of Consciousness organizam o espaço sonoro como uma mandala e provocam, sim, uma espécie de transe hipnótico e contemplativo, aquilo que normalmente chamamos de meditativo.

Ouvir Patterns of Consciousness é como meditar dentro de um acelerador de partículas.

Clique aqui para ouvir.

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