O Akaikurage foi uma das bandas mais interessantes que conheci nos últimos dois anos.
Baseado em Tóquio, o grupo apresenta um som enérgico que cruza punk rock, art rock, psicodelia e psychobilly, sempre com uma abordagem direta e despojada.
O eixo central da banda é, sem dúvida, a performance excêntrica de Natsuki, vocalista e guitarrista.
Basicamente todas as músicas do Akaikurage são cantadas com vocais mais agressivos, ríspidos e “ardidos”, com exceção de uma ou outra faixa em que surgem vocais mais delicados, ainda que não menos excêntricos. Neste disco, temos como exemplo a música Dokidoki, que representa o lado mais doce do repertório. Se há algo próximo de uma balada do Akaikurage, é isso.
Natsuki tem uma presença tão forte e singular que acaba definindo a relação do ouvinte com a banda: por causa dela, tende-se a amar ou odiar o Akaikurage.
No meu caso, eu adoro.
Além de Natsuki, outro destaque, para mim, são as performances de Matsuna no baixo. Neste disco, as linhas ganham especial relevância em faixas como Endless, a segunda do álbum, e Void (0).
O que mais me atrai no Akaikurage é a sensação de que se trata de uma banda que já encontrou sua identidade e não demonstra interesse em se afastar dela. O grupo parece comprometido apenas em fazer rock and roll de forma livre e divertida, com sua própria assinatura. Admiro isso.
Este não é um disco que se distingue radicalmente dos outros trabalhos da banda, e nem precisa. Para quem, como eu, já gosta do Akaikurage, a experiência é plenamente satisfatória; para quem ainda não conhece, trata-se de uma excelente porta de entrada.
Música preferida: A”