Considero este disco uma parceria criativa entre Miki Matsubara e o guitarrista Katsutoshi Morizono, que, além de ser o instrumentista principal, assina também a produção do álbum.

A sonoridade de Cool Cut reflete claramente a assinatura de Morizono: arranjos polidos, guitarras bem definidas e uma energia ao mesmo tempo suave e pulsante.

Além de Morizono, o álbum conta com a participação especial de Akira Wada, guitarrista da banda de fusion Prism, que contribui em duas faixas marcantes, Manatsu no Game e Ice Heart. A presença desses dois músicos é perceptível na força e na complexidade dos arranjos de guitarra, que se destacam como um dos grandes trunfos do disco.

Musicalmente, Cool Cut combina o city pop com influências sutis de blues, jazz, fusion e até música latina, resultando em um conjunto sonoro vibrante, porém equilibrado; algo entre o requinte jazzístico e a leveza melódica e radiofônica do pop.

Em minhas audições, Cool Cut sempre me pareceu um dos álbuns mais solares e alegres de Miki Matsubara. Curiosamente, é justamente nesses momentos de aparente leveza que sua melancolia artística costuma emergir com mais força, como se o brilho e a descontração fossem, paradoxalmente, uma forma de esconder a sombra.

No entanto, neste disco, não tive essa impressão.  A natural melancolia de Miki Matsubara melancolia parece ofuscada por uma energia positiva, divertida e luminosa.

No fim, Cool Cut é um álbum competente, bem produzido e leve. Pode ser apreciado tanto como trilha sonora para o trabalho ou para momentos de relaxamento, quanto como uma amostra da versatilidade de Miki Matsubara — uma artista que, mesmo dentro dos limites da música pop comercial, sempre flertou com algo mais sofisticado e atemporal.

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