“Camera Talk” foi um álbum lançado pelo grupo Flipper’s Guitar em 1990 pela Polydor Records. Este disco marcou a primeira vez que o Flipper’s Guitar se apresentou como uma dupla, liderada por Keigo Oyamada e Kenji Ozawa.

O que torna “Camera Talk” tão interessante é a sua ecleticidade. O álbum transita por uma variedade de gêneros, desde o rock and roll clássico até o surf rock, passando pelo pop rock, city-pop, rock progressivo (especialmente do Unicorn), rock psicodélico, jazz, blues, trilhas sonoras de filmes italianos, house music, além de bossa nova e outros ritmos latinos sintetizados.

Essa mistura multivalente de estilos se mistura ao tom humorístico absurdo de estilo inglês. É possível identificar influências de The Beatles, The Who e Monty Python.

“Camera Talk” também está profundamente ligado ao movimento Shibuya-Key, que era predominante no Japão da época. Esse movimento abraçava a diversidade musical e a experimentação, refletindo o espírito inovador da cena musical japonesa dos anos 80 e 90.

O contexto em que o álbum foi lançado é fundamental para entender sua importância. O Japão estava vivendo o auge do Milagre Econômico, tornando-se o maior importador de discos do mundo. A música popular japonesa estava em busca de uma expressão mais autêntica e, para isso, uma nova geração de artistas estava disposta a explorar todas as influências possíveis.

“Camera Talk” desempenhou um papel significativo nesse contexto e foi um dos principais responsáveis por moldar as características da música moderna japonesa e do Shibuya-Kei.

A influência desse movimento foi tão relevante que mesmo na expressão mais plastificada da música japonesa, o mundo Idol, geralmente representado por harpias adornadas que cantam melodias infantis com o uso de samples digitais, direcionadas muitas vezes a hikikomoris de meia-idade (que, aliás, é um dos universos mais bizarros e problemáticos da cultura pop do país, como mostrado no documentário “Tokyo Idol”), há notáveis exceções que impulsionam experimentações verdadeiramente interessantes, como é o caso do BiSH.

 

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