O futuro de cabelos brancos

Uma mulher idosa senta-se serena em uma sala repleta de fios, telas e máquinas. Seus ossos frágeis banham-se na luz dos monitores; mãos que outrora dobraram panos agora dobram cabos.

Ela parece deslocada, distante, mas, ao mesmo tempo, perfeitamente em casa. As cortinas de renda entrelaçam-se aos circuitos de uma televisão antiga, e os retratos emoldurados sugerem uma vida construída muito antes da era digital — ou mesmo analógica. Seus dedos seguem cabos brilhantes, coloridos, que ela primeiro admira, antes de tentar compreender. Não os entende — nem nós, talvez. Há ali uma mistura de curiosidade, contemplação e cuidado.

Alguém, em algum lugar, diria que aquilo é tecnologia. Ela sabe que é apenas outra forma de tecer. O mundo mudou, mas o gesto permanece: segurar o invisível, dar nós em fantasmas, esperar que algo, do outro lado, responda.

Arte de @devdmoore
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O podcast é apresentado por Gabriel Vince. Já foi estudante de filosofia, história, programação e jornalismo. Católico, latino e fã de Iron Maiden. Não dá pra ser mais aleatório que isso.

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