Sim, eu caí num daqueles famosos rabbit holes quando comecei, por curiosidade, a pesquisar sobre artistas de City Pop.

Acho que, pra maioria das pessoas, a porta de entrada costuma ser Mariya Takeuchi ou Miki Matsubara. No meu caso, foi a Miki — especificamente com “Mayonaka no Door (Stay with Me)”. Porta de entrada de muitos, mais óbvio impossível.

O primeiro disco dela que ouvi foi Who Are You? — o debut. Quis começar do começo. Escutei umas duas ou três vezes, com reações diferentes: às vezes gostava mais, às vezes menos, mas sempre gostava.

Depois disso, fui descobrindo outras artistas do gênero, que a cada nova audição me interessava mais: Anri, Minako Yoshida, Kimiko Kasai… e por aí foi.

Esses dias, resolvi revisitar a discografia da Miki e peguei um álbum aleatório pra ouvir com mais atenção. Acabei caindo em Revue, o sexto disco de estúdio dela, lançado em 1983.

Meu Deus, que disco bom! Lembrei daquilo que não deveria ter esquecido. Os arranjos e a produção são excepcionais — tudo muito bem trabalhado.

Dá pra sentir claramente as influências de Jazz, Bossa Nova, Funk, R&B, Soft Rock e AOR, todas muito bem equilibradas.

Lembro que, quando ouvi Who Are You?, o que mais me chamou atenção — além do contraste entre o ritmo upbeat e as letras melancólicas, marca registrada do City Pop — foi o quanto o álbum era eclético e como o contrabaixo ganhava destaque.

Essas impressões voltaram agora, mas com um impacto ainda maior. Em vários momentos, ao escutar Revue, percebi minhas mãos tocando air bass sem nem perceber, os olhos se fechando, a cabeça balançando junto com os refrães grudentos. E ainda tem a atmosfera etérea dos teclados, simplesmente hipnótica.

Gostei de todas as músicas mas, de cabeça, posso citar “Ame Nochi Hallelujah”, “Sweet Surrender”, “Stardust Rain” e “Kaze no Photograph” como favoritas.

Talvez eu edite essa crítica depois, com mais detalhes — e, quem sabe, mude de ideia sobre as faixas preferidas. Mas, por enquanto, acho que vou revisitar o Who Are You? pra ter certeza: porque, sinceramente, Revue acabou de tomar o lugar de disco favorito da Miki Matsubara.

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