Porco Rosso é um filme que orbita no seu personagem-título, um piloto aposentado da Primeira Guerra Mundial que vive na Itália, no Mar Adriático, e que ganha vida como caçador de recompensa.

Sua aparência é de um porco antropomorfisado, por conta de uma maldição que não é muito bem explicada no desenho (e nem é necessário).

Antibelicista e, ao mesmo tempo, um combatente entusiasmado, Porco Rosso é um guerreiro solitário, que afana virtudes militares sem estar associado a um corpo coletivo (nação, país ou o que valha), valendo-se deles para sustento próprio e subordinando essas virtudes em sua própria ética.

Antes porco do que fascista!

Ele resgata um pouco a ambientação do primeiro filme do Studio Ghibli (com o cenário de piratas aéreos e tudo mais), mas sem necessariamente imergir nele (não fica claro que se passa no mesmo universo – acredito que não).

Estéticamente, não chega a ter uma ambientação SteamPunk mas, ainda sim, se trata de uma reimaginação fictícia do passado – os aviões da Segunda Guerra eram muito mais sofisticados que aqueles mostrados no filme (que se assemelham mais aos aviões da Primeira Guerra) e, os aviões da Primeira Guerra (que aparecem em memórias do Porco Rosso), são naves de combate feitas de madeira (!).

Não sei dizer se há um gênero de ficção científica onde a tecnologia é imaginada como regredindo um passo em seu conhecido histórico de evolução – mas Porco Rosso é o primeiro filme que vi fazendo isso.

No mais, é um filme que invoca muito o tom cômico o tempo todo e, pra mim, todas as gags funcionaram.

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