Embora eu não seja um ouvinte habitual do Deftones — e este seja o primeiro álbum da banda que escuto com atenção —, ficou evidente para mim que sua força reside nos contrastes.

Ao longo do disco, o grupo alterna entre delicadeza e brutalidade: os sussurros febris e melancólicos de Chino Moreno se contrapõem a gritos intensos e viscerais, apoiados por uma parede sonora erguida pelos riffs pesados de Stephen Carpenter, pela base sólida de baixo e bateria de Sergio Vega e Abe Cunningham, e pelo teclado sombrio de Frank Delgado, que age como uma argamassa, unindo todos os elementos em uma arquitetura sonora ao mesmo tempo brutalista, onírica e bela.

É um álbum melódico, mas envolto em uma atmosfera sombria, densa e quase sufocante. As faixas possuem uma textura sonora que convida a uma escuta atenta e contemplativa — como diante de um quadro impressionista, em que a beleza surge aos poucos, conforme as camadas se revelam. À primeira audição, tudo pode soar confuso e sobreposto, mas, com o tempo, os detalhes começam a se destacar e a fazer sentido.

Musicalmente, Ohms é um disco de metal alternativo que incorpora influências de shoegaze e pós-rock. A revista Classic Rock ofereceu uma interpretação com a qual eu concordo bastante: descreveu o álbum como “dream pop com um toque metálico”, uma definição que traduz com precisão essa mistura que define o som do Deftones.

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