O Judas Priest consegue fazer algo que acho que nenhuma outra banda consegue, que é se tornar o titular de uma identidade de um gênero de música sem se tornar caricato – mesmo tendo todos os elementos “caricaturizáveis” de uma banda de Heavy Metal: riffs rápidos, solos harmônicos, homoerotismo latente (sim, o Heavy Metal sempre foi meio g4y), vocais agudos, letras distópicas com linguagem bíblica (sim, o Heavy Metal também sempre teve essa influência meio evangélica) e uma conexão com a ópera, com o teatro e com a música clássica.

Apesar do Iron Maiden ser a minha banda favorita, não acho que ela seja a melhor representante do estilo, pois a banda sempre oscilou entre o que os tornou conhecidos e o que eles realmente queriam ser. Não há dúvidas de que, se dependesse de Steve Harris, o Iron Maiden seria uma banda de Rock Progressivo nos moldes de Jethro Tull, Nektar e Uriah Heep – com alguma influência de Heavy Metal. O Black Sabbath, então, nem se fala. Os próprios membros nunca gostaram do termo. Apesar de serem universalmente reconhecidos como criadores do gênero, na época do Ozzy a banda era mais um Blues-Rock experimental do que qualquer outra coisa. Eram, segundo eles mesmos, uma versão feia, sombria e teatral do Led Zeppelin. Só assumiram sua identidade de banda de Heavy Metal, um pouco a contragosto, acredito eu, quando Ronnie James Dio entrou na banda.

Sobre o Judas Priest, nem todo disco eu considero como Heavy Metal, mas quando eles assumem o gênero, eles praticamente definem sua cartilha. A própria influência de Heavy Metal no Iron Maiden pode ser rastreada até o disco “Sad Wings of Destiny” do Judas Priest.

“Invincible Shield” é o Judas Priest reforçando a cartilha que eles mesmos criaram e sendo os melhores representantes dela. É um disco que remete a “Defenders of Faith”, “Painkiller” e tem umas pitadas de “Turbo”.

Todas, absolutamente todas as músicas deste disco são excelentes. No entanto, se fosse para escolher uma preferida, eu diria que “Giants in the Sky” é a minha favorita, pois possui um belíssimo arranjo neo-clássico de violões, remetendo à boa fase do mestre Yngwie Malmsteen.

Não menos importante é destacar aqui a performance de Rob Halford. Ele é o Deus do Metal e personifica em sua personalidade o estilo, assim como um Punk faz com sua música. Ele está mais v14do do que nunca, o que é maravilhoso.

 

 

 

Recomendado

Judas - Arias And Recitatives By J.S. Bach

Podcast Recente

Rolar para cima