Ecstatic Computation é o quarto disco da compositora Caterina Barbieri, lançado em 2019.
Mais uma vez, a música de Caterina transforma a música eletrônica em uma experiência “mântrica”, de transe meditativo.
Uma das melhores críticas do disco foi publicada na The Quietus, na coluna Culture Countered, afirmando que a obra de Caterina resgata um otimismo tecnológico que estava se perdendo. Um otimismo expresso na música eletrônica extática, no conforto sonoro modernista e nas paisagens utópicas. É algo que encontramos em Structures from Silence, de Steve Roach, e Ambient 1: Music for Airports, de Brian Eno, assim como na música de Klaus Schulze e Ashra.
A música eletrônica teria sido sequestrada pelas paisagens góticas, urbanas e assombradas do dubstep, como na paisagem pós-racial de Drexciya; pelo militarismo distópico de State of Ruin, do Silk Road Assassin; pela psicodelia fragmentada de Lexachast, do Amnesia Scanner e Bill Kouligas; pelas abstrações frequentemente belas e opressivas de artistas como Zaliva-D, Helm e Rian Treanor; ou teria se enveredado por abordagens mais materialistas e sensuais do house, voltadas para as pistas de dança.
A música eletrônica contemporânea se tornou um reflexo do colapso urbano, da paranoia tecnológica e da ansiedade climática. Isso se traduz na desilusão techno, nas mutações opressivas do dubstep, nas sonoridades claustrofóbicas, industriais, cinzentas e táticas, na desconstrução digital agressiva, no ruído, na sobrecarga de estímulos, na violência e no niilismo.
Não acho isso ruim. Acho até importante enquanto registro sonoro de uma falência do progresso prometido. No entanto, cercar-se apenas de um pessimismo existencial é uma forma de miopia estética.
A abordagem de Caterina, com seus sequenciadores oscilantes e pulsações rítmicas, é mais acolhedora.
Ela utiliza sequenciadores modulares e arpejos matemáticos rápidos para criar ilusões temporais e estados de transe psicodélico.
Ao mesmo tempo, ela não dissolve a abstração nem o mistério. Há uma certa dimensão ominosa em sua música, que provoca uma leve sensação de pavor.
Um pavor que vem justamente das texturas celestiais e da velocidade das permutações de notas, que parecem estar sempre incentivando uma sensação de vertigem e um confronto com a imensidão cósmica diante da escala humana.
Em suma, certamente é o melhor disco dela desde Patterns of Consciousness.