Born Again in the Voltage é o terceiro disco de Caterina Barbieri, lançado em 10 de agosto de 2018.
Assim como nos trabalhos anteriores, Caterina utiliza aqui o sintetizador modular Buchla 200 e vagueia pelos territórios da música eletroacústica experimental, do drone e da música minimalista, ou enganosamente minimalista, como comenta Miles Bowe em sua crítica do disco no site Pitchfork.
O disco conta com a participação do violoncelista Antonello Manzo, que adiciona uma belíssima camada invernal e espectral ao som sintético de Caterina.
Os sons do violoncelo e dos ruídos eletrônicos se fundem de tal maneira que é realmente difícil identificar onde está o limiar, a fronteira que separa os instrumentos, como se essa síntese fizesse um comentário oculto sobre uma realidade não dual, na qual o sintético e o orgânico, por um breve momento, deixam de se diferenciar.
Caterina não usa o sintetizador apenas como acompanhamento. Ela frequentemente alimenta o som do violoncelo para dentro dos módulos analógicos, borrando a origem e as fronteiras do som e criando uma espécie de “terceira textura” híbrida.
Uma curiosidade a respeito do disco é que, apesar de ser o terceiro álbum lançado, ele foi gravado entre 2014 e 2015, no mesmo período em que foi gravado seu primeiro disco, Vertical.
Para mim, esse disco é um intermediário perfeito entre o conceito eletrônico-fantasmagórico de Vertical e o conceito espacial, lisérgico e junguiano de Patterns of Consciousness. Embora, na minha opinião, não seja tão interessante quanto esses dois.