Licença para Viver (Ningen Gokaku, ou Licence to Live em inglês) é um filme dirigido por Kiyoshi Kurosawa, lançado em 1998.

A trama acompanha Yutaka Yoshii, um jovem de 24 anos que desperta em um quarto de hospital após passar dez anos em coma. Ao acordar, ele não apenas percebe que foi transportado diretamente da adolescência para a vida adulta, mas também que tudo ao seu redor mudou radicalmente. Sua família se desfez, seus amigos seguiram caminhos distintos. Em essência, Yoshii adormeceu em um mundo e despertou em outro.

Durante esse período, o homem responsável pelo acidente que o deixou em coma arcou com todos os custos do hospital. Por ser uma pessoa de poucos recursos, acabou mergulhado em dívidas, destruindo sua vida financeira e indo à falência.

Após o despertar de Yoshii, cada um seguiu seu caminho.

Sem ter para onde ir, Yoshii passa a viver na fazenda de peixes localizada no terreno da antiga casa da família, agora administrada por Fujimori, um velho amigo solitário de seu pai. Lá, ele realiza diversos trabalhos enquanto tenta recompor o quebra-cabeça da sua existência, buscando entender onde está e quem se tornou.

Ao longo da narrativa, surgem figuras importantes de sua vida: sua irmã, seu pai, sua mãe e, novamente, o homem que causou o acidente.

Yoshii apresenta um comportamento infantil, muitas vezes incompatível com sua idade biológica — o que faz sentido, considerando os anos “perdidos” durante o coma. Fujimori, por vezes, tenta assumir uma figura paterna, numa tentativa frustrada de preencher os vazios deixados pela ausência da família e pelo trauma.

Muita coisa acontece ao longo do filme — e o que relatei aqui é apenas o que me veio à mente de imediato.

Kiyoshi Kurosawa sempre surpreende com narrativas pouco usuais. Neste filme, além da estranheza da história, o visual mistura uma jornada de amadurecimento seca e sombria com toques discretos de humor e despojamento. O diretor se afasta deliberadamente do caminho convencional, evitando a previsibilidade dos dramas trágicos típicos do cinema, para entregar algo mais original: um drama árido, sem sentimentalismo, que ainda assim permite risadas genuínas.

Licença para Viver reinventa as convenções dos gêneros cinematográficos. Em vez de seguir fórmulas estabelecidas, o filme se submete às regras do próprio diretor. Kiyoshi Kurosawa reafirma aqui o verdadeiro significado de um cinema de autor.

Gostou do conteúdo?

Ajude o Taverna do Lugar Nenhum com qualquer valor.

Newsletter

Recomendado

Carisma
Cure

Podcast Recente

Rolar para cima