“In His Blood” é o segundo álbum de estúdio da banda londrina de death metal Vacuous, lançado em 28 de fevereiro de 2025 pela Relapse Records.

Descrito como um death metal com influências de post-punk, black metal atmosférico e elementos góticos, o álbum aprofunda a sonoridade do grupo em relação ao disco de estreia, Dreams of Dysphoria (2022). A incorporação de uma atmosfera mais sombria e etérea foi amplamente elogiada pela crítica.

Gravado no Holy Mountain Studios por Stanley Gravit e masterizado por Brad Boatright, o álbum apresenta uma produção crua e orgânica, com guitarras densas, baixo bem definido e vocais carregados de reverberação, que reforçam a sensação opressiva do conjunto.

O vocalista e letrista Joe Chen aborda temas pesados inspirados tanto pela fantasia quanto pela realidade, incluindo filmes de terror, serial killers, tiroteios em escolas e reflexões sobre violência a partir da perspectiva de um migrante em solo estrangeiro. Embora não assuma uma identidade política explícita, suas letras sugerem um viés progressista.

Filho de uma família da Malásia, um país historicamente mais pobre, Chen comenta sobre a justaposição que percebe ao visitar suas origens em contraste com sua vida em Londres. A música “Contraband” é o exemplo mais direto desse olhar. É também a faixa mais comentada do disco, escrita sobre a tragédia dos 39 migrantes vietnamitas que morreram por asfixia e hipertermia dentro de um contêiner frigorífico lacrado enquanto tentavam entrar no Reino Unido em 2019.

Esses 39 vietnamitas, oriundos em grande parte de províncias pobres como Nghe An, buscavam uma vida melhor na Europa e haviam pago grandes somas a redes sofisticadas de tráfico humano. A tragédia ganhou contornos ainda mais dramáticos quando mensagens enviadas por algumas das vítimas foram divulgadas. Uma das mais impactantes, escrita pela jovem Pham Thi Tra My, de 26 anos, dizia: “Sinto muito, mamãe. Não tive sucesso na viagem. Estou morrendo porque não consigo respirar”.

As demais faixas tratam de forma mais difusa da violência em diferentes contextos. “In His Blood”, “Stress Position”, “Flesh Parade”, “Public Humiliation”, “Immersion” e “No Longer Human” transitam entre o caos atmosférico do black metal e a agressividade do death metal. A fórmula raramente se afasta desse eixo, com exceção de breves momentos de influência doom, perceptíveis sobretudo em “Public Humiliation”.

A faixa que musicalmente mais se destaca para mim é a atmosférica “Hunger”, com sua forte inclinação gótica. Destaco também “Contraband”, pelo baixo proeminente e andamento cadenciado, e “Immersion”, que sintetiza com clareza os elementos principais do disco

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