De vez em quando, encontro algumas pérolas do Heavy Metal dos anos 80 que nem sabia que existiam.
Bandas como Gamma, liderada por Ronnie Montrose, e a japonesa Bow Wow foram duas das que mais me chamaram a atenção recentemente.
Outra excelente descoberta foi o Gaskin, liderado pelo guitarrista e compositor Paul Gaskin.
O primeiro disco que ouvi da banda foi o ótimo No Way Out, segundo álbum de estúdio do grupo, lançado em 1982.
O Gaskin surgiu na Inglaterra no início dos anos 80, em plena efervescência da NWOBHM, movimento que revelou uma porção de bandas interessantes. Algumas se tornaram bastante conhecidas, enquanto outras acabaram restritas a um público mais específico.
O disco conta com Bren Spencer nos vocais, Paul Gaskin nas guitarras, Baggy no baixo e na guitarra slide e Dave Norman na bateria.
Robert John Godfrey, conhecido por seu trabalho com a banda de rock progressivo The Enid, também participa tocando teclados na faixa Say Your Last Word.
O resultado é um álbum que combina o Heavy Metal britânico da época com uma abordagem mais melódica e acessível.
No Way Out flerta bastante com o Hard Rock e apresenta toques ocasionais de AOR, algo que não era exatamente incomum no Heavy Metal daquele período. Basta pensar em bandas como Demon, Diamond Head, Rainbow, Def Leppard e Praying Mantis. A NWOBHM nunca foi um movimento de sonoridade uniforme, e havia espaço para grupos que preferiam apostar em melodias marcantes, refrões acessíveis e arranjos mais próximos do Hard Rock tradicional.
Talvez a grande exceção seja a excepcional faixa-título, que é inegavelmente Heavy Metal puro do começo ao fim.
Vejo muita gente reclamando que o disco é suave demais. Sinceramente, não me incomodei nem um pouco. Aliás, quem procura peso extremo em absolutamente todas as bandas daquela época acaba limitando bastante o que pode descobrir. O Heavy Metal tradicional dos anos 80 era muito mais diverso, e divertido, do que algumas retrospectivas dão a entender.
O que mais gosto em No Way Out é justamente a ausência de grandes excessos ou demonstrações desnecessárias de virtuosismo. São bons riffs, solos bem construídos e uma cozinha competente, com cada instrumento fazendo o que a música pede. Não vejo por que a presença de elementos mais comerciais deveria ser considerada um defeito.
O que importa para mim é o talento, e é inegável que Paul Gaskin é um excelente compositor de riffs e solos. Suas guitarras são o grande destaque do disco, tanto nos momentos mais pesados quanto nas passagens em que a banda se aproxima do Hard Rock e do AOR. Ele sabe construir riffs interessantes, encontrar boas melodias e encaixar solos que fazem sentido dentro das músicas. Não precisa transformar cada faixa em uma demonstração de técnica para mostrar que sabe tocar.
Também me chama a atenção a qualidade da cozinha. Dave Norman e Baggy constroem uma base sólida para que a guitarra de Paul se destaque, com baixo e bateria trabalhando a favor das composições. Há firmeza e dinâmica nessa combinação, sem aquela sensação de que os músicos estão simplesmente repetindo uma fórmula de acompanhamento. É uma banda que entende como sustentar uma música sem disputar espaço com ela.
Para mim, isso vale muito mais do que uma sucessão de solos complicados ou uma tentativa de soar mais pesado do que todo mundo.
O ponto mais fraco do disco são os vocais de Bren Spencer. Não acho que ele faça um trabalho ruim, mas é quem menos brilha quando comparado aos demais músicos. Sua voz é adequada à proposta do álbum, mas raramente acrescenta algo que eleve as composições a outro patamar. Ele cumpre bem seu papel, embora não deixe uma impressão tão forte quanto a guitarra de Paul Gaskin ou a base instrumental da banda.
Talvez essa abordagem mais melódica e comercial ajude a explicar por que No Way Out não conquistou o mesmo reconhecimento de outros discos da NWOBHM. A banda seguia uma direção que nem sempre correspondia às expectativas de quem procurava sonoridades mais agressivas. O Gaskin acabou encerrando suas atividades naquela década, embora tenha voltado a se reunir posteriormente.
De qualquer maneira, No Way Out é uma excelente descoberta. Não é um disco que vai revolucionar sua vida, nem precisa ser. É apenas um ótimo álbum de Heavy Metal e Hard Rock, com guitarras muito bem trabalhadas, uma base instrumental competente e boas composições. Para mim, já é motivo suficiente para dar uma chance ao Gaskin.