A besta andrógina de Platão e a busca por salvação

No início, havia os andróginos, seres que possuíam corpos redondos ou de aspecto globular, com órgãos duplicados, e que eram todos dotados de uma força desmedida. Além dos andróginos, havia também aqueles que eram originalmente masculinos e femininos. Eram, em todos os casos, seres completos, inteiros em si mesmos.

Essa completude, porém, acabou despertando neles uma espécie de arrogância. Depois de tentarem atacar os deuses, foram castigados por Zeus, que decidiu cortá-los ao meio, dividindo-os entre o masculino e o feminino. A partir dessa ruptura, cada metade passou a procurar a outra, como se tentasse recompor a unidade que havia perdido.

É daí que nasce, no mito contado por Aristófanes, o desejo amoroso: ele seria, em última instância, a busca pela recomposição de uma unidade perdida. Amar seria procurar no outro aquilo que um dia constituiu nossa própria inteireza. A imagem é simples, mas sua força conceitual é enorme, porque transforma o desejo em uma espécie de memória corporal de algo que já não existe.

Essa história, que vou explicar melhor ao longo deste texto, encontra-se em Platão, mais especificamente no Banquete, e é narrada pelo personagem Aristófanes. A narrativa é, simultaneamente, bela, cômica, grotesca e conceitualmente interessante. E não foi por acaso, penso, que Platão escolheu justamente um comediógrafo para apresentar esse mito.

Antes mesmo de começar seu discurso, Aristófanes é envolvido por uma pequena cena corporal que já estabelece o tom de sua participação. Ele sofre de soluços, e Erixímaco, o médico do grupo, propõe ajudá-lo. Em seguida, porém, adverte o poeta para que não transforme sua fala em pura palhaçada, como poderia ser esperado de alguém de sua índole. Aristófanes responde, de maneira enigmática, que teme o ridículo, embora o absurdo seja próprio de sua Musa.

Essa pequena passagem é interessante porque estabelece uma espécie de moldura para o discurso que virá. Aristófanes é o comediógrafo, aquele que lida com o ridículo, com o exagero e com o absurdo. Ainda assim, sua fala não abandona a seriedade. Pelo contrário, é justamente através desses elementos que ele constrói uma reflexão bastante profunda sobre o desejo, a falta e a intimidade.

O mesmo acontece com a própria imagem dos seres que ele descreve. Seu significado, que, reforço, é belíssimo, expressa a experiência da falta, do reconhecimento e do desejo de intimidade. Mas sua representação imagética se aproxima de uma curiosa concepção de horror corporal: uma besta redonda, formada por duas pessoas fundidas pelas costas. São quatro braços, quatro pernas, dois órgãos genitais e duas cabeças.

Há, portanto, algo de profundamente grotesco nessa imagem. O que deveria representar a condição original de completude também pode ser visto como uma aberração corporal, uma criatura que parece saída de um bestiário. E talvez seja justamente essa tensão que torne o mito tão interessante: aquilo que, conceitualmente, representa a unidade perfeita aparece, no plano do corpo, como algo estranho, monstruoso e até perturbador.

A moldura cômica, para Aristófanes, não elimina a seriedade do discurso. Da mesma maneira, a moldura grotesca não elimina a beleza latente do significado de seu mito. Pelo contrário, é possível que seja justamente a combinação entre o absurdo, o cômico e o grotesco que permita a Platão falar de algo tão essencialmente humano quanto o desejo de encontrar, no outro, uma parte de nós mesmos.

O mito e a força de Eros

Aristófanes começa dizendo que os seres humanos não reconheceram o poder de Eros. Em sua etiologia, havia originalmente três géné, ou tipos humanos. O primeiro era masculino, descendente do Sol; o segundo, feminino, descendente da Terra; o terceiro reunia os dois sexos e era associado à Lua, que participa de ambos.

A anatomia desses seres é deliberadamente extraordinária. Cada um possuía um corpo redondo, com costas e flancos dispostos circularmente, dois rostos voltados em direções opostas sobre uma mesma cabeça, quatro braços, quatro pernas, quatro orelhas e dois conjuntos de órgãos genitais. Podiam deslocar-se em qualquer direção e, quando aceleravam, rolavam como acrobatas.

“Seres esféricos” é uma fórmula tradicional e útil para explicá-los, porque combina a redondeza, a duplicação anatômica e o movimento rotatório. Mas é importante não imaginar uma esfera matemática perfeitamente lisa. A descrição de Platão é mais estranha do que isso: trata-se de um corpo humano duplicado, organizado de maneira circular e dotado de uma anatomia que desafia nossa percepção habitual do corpo.

Da mesma maneira, a imagem de “duas pessoas com as costas coladas” é uma reconstrução intuitiva possível, mas não necessariamente corresponde à formulação exata de Platão. O importante é perceber que estamos diante de um corpo duplo, cuja própria anatomia expressa uma condição de completude.

E essa completude corresponde a uma potência extraordinária. Esses seres eram fortes, confiantes e autossuficientes. Não dependiam uns dos outros para existir, porque cada indivíduo já carregava em si uma duplicidade que o tornava, de certa maneira, completo. É justamente essa potência que, em algum momento, transforma-se em hybris.

Aqui aparece um dos temas mais antigos da mitologia: a criatura que, por possuir qualidades extraordinárias, tenta ultrapassar os limites de sua própria condição. É quase a velha fórmula do “sereis como Deus” ou “sereis como deuses”. A autossuficiência deixa de ser apenas uma característica e se transforma em soberba. O ser completo torna-se um ser que já não reconhece nenhuma autoridade acima de si.

Zeus não os destrói, entretanto, porque perderia os sacrifícios e as honras que recebia dos humanos. Decide então puni-los de outra maneira: cortá-los ao meio. Com isso, enfraqueceria sua força e, ao mesmo tempo, multiplicaria o número daqueles que lhe prestariam culto.

A operação é descrita por Aristófanes com uma estranha cirurgia. Depois da cisão, Apolo vira o rosto de cada metade para a região da cicatriz, reúne a pele e deixa o umbigo como marca da operação, alisando as rugas como um artesão que trabalha o couro. O corpo humano atual nasce, portanto, como um corpo posterior a uma violência e permanentemente marcado por ela.

Essa imagem é importante porque o mito não afirma simplesmente que uma única alma, numericamente indivisa, foi repartida em dois corpos. O que Zeus corta é um corpo duplo. A partir daí, cada metade passa a experimentar uma falta que não consegue compreender inteiramente. Existe o desejo por algo que se perdeu, mas esse algo ainda não pode ser plenamente formulado.

A busca pela outra metade é, nesse sentido, uma busca pela recomposição não apenas do outro, mas também de uma condição perdida de completude e, de certo modo, de imortalidade.

Aristófanes apresenta o amor como o impulso de voltar a uma unidade anterior à cisão. E essa busca pode encontrar uma forma de permanência na união entre os indivíduos, particularmente no casamento, que transforma o encontro amoroso em uma união capaz de gerar filhos.

A união sexual entre homem e mulher é particularmente importante porque se torna fecunda e produz uma nova geração. O desejo, que nasceu da experiência de uma perda, encontra na reprodução uma maneira de prolongar a existência para além do indivíduo. Através dos filhos, a união amorosa parece vencer, ainda que provisoriamente, o tempo e a morte.

O mito começa, portanto, com seres que eram completos demais, fortes demais e autossuficientes demais. Termina com seres incompletos, “condenados” a procurar uns nos outros aquilo que perderam. A condição humana nasce justamente dessa passagem da completude para a falta. E é dessa falta que Eros retira sua força.

A articulação entre filosofia, religião e estética

Filosoficamente, o mito apresenta Eros como uma busca por uma integridade perdida. Seu vocabulário é essencialmente relacional: o amante procura “a própria” metade, reconhece nela algo familiar e deseja permanecer com ela. A narrativa, porém, deixa aberta uma questão decisiva: a unidade desejada é boa porque restaura uma natureza anterior ou simplesmente porque encerra a dor da separação?

A importância dessa questão está em oferecer um modelo de amor como “falta” sem reduzir essa falta a uma carência abstrata. Não se trata apenas de desejar aquilo que não possuímos, mas de experimentar a ausência de algo que, de alguma maneira, parece ter nos constituído. A falta, nesse sentido, possui uma dimensão quase ontológica.

Como símbolo, o mito permite pensar a experiência da perda, do pertencimento e do reconhecimento, mas também a tensão entre autonomia e fusão. Cada metade conserva, em seu próprio corpo, a marca de uma unidade que já não existe. O encontro amoroso aparece, então, como a promessa de restituição de uma forma perdida.

É possível, inclusive, aproximar essa imagem de leituras junguianas ou psicanalíticas, nas quais ela pode servir para pensar integração, projeção e totalidade. O mito se presta particularmente bem a esse tipo de interpretação porque transforma uma experiência abstrata, a sensação de estar incompleto, em uma imagem corporal concreta e estranha.

Mas o vocabulário do discurso é também religioso. Aristófanes afirma que, se os humanos conhecessem verdadeiramente o poder de Eros, lhe ergueriam templos, altares e ofereceriam sacrifícios. O amor aparece, portanto, não apenas como uma experiência individual, mas como algo que possui uma dimensão sagrada.

A cisão dos corpos pode ser lida, nesse sentido, como uma correspondência simbólica da cisão do homem em relação ao divino e do desejo posterior de “re-ligare”. Essa ideia atravessa, de formas diferentes, inúmeras tradições religiosas: a criatura separada de sua origem deseja restabelecer algum tipo de vínculo com aquilo que a transcende. Talvez seja justamente esse movimento de separação e retorno que esteja no núcleo da própria experiência religiosa.

A metafísica interna do mito articula, assim, unidade, excesso e queda. O ser originário é inteiro, potente e circular, mas sua própria potência produz arrogância, a hybris, e conduz à queda. A divisão reduz sua força e cria vulnerabilidade, mas também inaugura uma condição na qual se tornam possíveis a vida ordenada, a procriação e uma forma de coexistência governável.

Por isso, o inteiro não é simplesmente bom, assim como o fragmento não é simplesmente mau. Acho importante, aliás, deixar um pouco de lado os conceitos de “bom” e “mau” na análise dos mitos, especialmente dos mais antigos. Aplicar essas categorias de maneira automática pode empobrecer justamente as ambiguidades que tornam essas narrativas interessantes.

Isso também impede uma leitura ingênua da esfera como símbolo automático de perfeição ontológica. A forma circular pode sugerir fechamento, completude e autossuficiência, mas é também, como já disse, um corpo monstruoso, armado de órgãos em excesso e envolvido em uma tentativa de assalto aos deuses.

Aqui entra, para mim, uma dimensão estética que é importantíssima. Não deveríamos observar a descrição de Aristófanes apenas como uma alegoria filosófica. É preciso também olhar para a criatura que ele efetivamente coloca diante de nós. O ser primordial é completo, mas é também monstruoso. Sua perfeição conceitual convive com uma aparência corporal que pode provocar estranhamento, repulsa ou até horror.

Essa ambiguidade me parece fundamental. O mito não apresenta simplesmente um paraíso perdido ao qual deveríamos retornar. Afinal, foi justamente aquele estado de completude que produziu a hybris. O que se deseja depois da queda não pode ser simplesmente a repetição do estado primordial.

Podemos dizer, então, que depois da queda deseja-se a integridade do ser primordial, mas sem reabrir o perigo da hybris que levou ao pecado. Deseja-se uma integridade que não seja autossuficiência absoluta; uma completude que não produza novamente a arrogância. Em outras palavras, deseja-se uma integridade santificada, superior à própria condição primordial.

É aqui que, para mim, metafísica, filosofia, religião e estética finalmente se articulam. O mito começa com um ser inteiro que se perde por causa de sua própria potência e termina com um ser fragmentado que deseja recuperar aquilo que perdeu. Mas o objetivo último não parece ser simplesmente voltar ao que existia antes. É desejar uma forma nova de inteireza, livre daquilo que provocou a queda.

Deseja-se o novo homem, os novos céus e a nova terra. Deseja-se, basicamente, a salvação. E talvez seja justamente essa a força mais profunda da imagem de Aristófanes: o amor nasce de uma ferida, mas aquilo que ele procura não é necessariamente o retorno ao corpo original. É a possibilidade de que, depois da cisão, exista uma forma de unidade melhor do que aquela que foi perdida.

A estética do monstro como ideia do excesso

Esteticamente, a força da narrativa depende justamente do choque entre a escala cósmica e o detalhe material. Sol, Terra, Lua e deuses convivem com soluços, fome, órgãos genitais, pele puxada, rugas, umbigo e uma operação corporal descrita com uma materialidade quase artesanal. O corpo é cortado, manipulado e remendado. A comparação com o trabalho do couro torna essa operação ainda mais concreta. A esfera, portanto, não é uma abstração imóvel: ela rola como um acrobata, pode ser cortada ao meio e depois precisa ser reconstruída.

É essa combinação entre o cósmico e o grotescamente corporal que dá ao mito uma aparência quase teratológica. O resultado parece saído de um bestiário porque reúne, ao mesmo tempo, classificabilidade e deformidade. O ser primordial pode ser descrito com precisão quase taxonômica: possui pares de rostos, membros, orelhas e órgãos genitais, organizados segundo uma simetria rigorosa. Mas essa mesma simetria ultrapassa os limites do corpo humano que conhecemos.

A criatura é, portanto, ao mesmo tempo unidade e excesso, familiar e monstruosa, cômica e grotesca. Sua anatomia obedece a uma lógica quase perfeita, mas justamente por isso produz estranhamento. Há algo de racional na maneira como seu corpo é construído e algo de absurdo naquilo que esse corpo efetivamente é.

O ponto, para mim, é que o mito produz intencionalmente uma criatura liminar, situada entre o humano e o não humano. Ela possui forma, organização e atributos reconhecivelmente humanos, mas sua duplicação anatômica a desloca para fora daquilo que entendemos como normalidade corporal. Talvez seja justamente nessa fronteira que esteja parte da força estética do mito: o ser primordial não é simplesmente um humano perfeito, mas uma espécie de monstro da completude.

A busca por salvação

No fim, talvez o mais interessante no mito de Aristófanes seja justamente a impossibilidade de separar suas diferentes dimensões. O que começa como uma explicação quase cosmogônica sobre a origem dos seres humanos transforma-se, pouco a pouco, em uma reflexão sobre o desejo, a falta, o corpo, a religião e a própria ideia de salvação.

A imagem do ser esférico concentra todas essas questões. Ele é completo, mas sua completude produz hybris. É poderoso, mas sua potência o leva a desafiar os deuses. É autossuficiente, mas justamente por isso se torna incapaz de reconhecer aquilo que está acima dele. Quando Zeus o divide, cria-se a condição humana tal como a conhecemos: um ser incompleto, vulnerável e permanentemente atravessado pelo desejo de recuperar alguma coisa que perdeu.

É por isso que Eros não aparece simplesmente como uma força que nos conduz ao prazer ou à reprodução. Ele nasce da cisão. Seu objeto é aquilo que falta, mas aquilo que falta não é uma coisa qualquer. É uma forma de inteireza que o indivíduo reconhece no outro sem conseguir explicá-la completamente. Amar é, nesse sentido, reconhecer uma ausência e, ao mesmo tempo, pressentir no outro a possibilidade de preenchê-la.

Mas o mito é mais ambíguo do que a fórmula romântica da “alma gêmea” pode sugerir. O ser primordial que desejamos recuperar era também monstruoso e arrogante. Sua unidade não era necessariamente uma condição de perfeição. A esfera era completa, mas também excessiva; simétrica, mas monstruosa; divina em sua potência, mas condenada justamente por não reconhecer seus limites.

Talvez seja essa ambiguidade que torne a narrativa tão poderosa. Não estamos simplesmente diante da história de um paraíso perdido que deveria ser recuperado. O que se perdeu não pode ser restaurado exatamente como era, porque o próprio estado primordial carregava em si a possibilidade da queda. Depois da cisão, o desejo humano não parece buscar apenas o retorno ao passado, mas a construção de uma nova forma de unidade.

E é aqui que a dimensão religiosa do mito ganha força. A criatura separada procura aquilo de que foi afastada. O amor torna-se uma espécie de movimento de retorno, uma tentativa de religação. Mas essa religação não precisa significar a dissolução completa do indivíduo em uma unidade anterior. Pode significar, ao contrário, a busca por uma integridade que supere a condição original.

Por isso, a imagem do corpo partido talvez seja mais profunda do que a ideia de simplesmente encontrar “a outra metade”. O problema não é apenas que estamos separados de alguém. É que somos seres separados de uma condição de completude que já não sabemos sequer definir. Eros nasce justamente desse paradoxo: sabemos que algo falta, reconhecemos essa falta quando encontramos o outro, mas não conseguimos determinar completamente o que estamos procurando.

No plano estético, essa mesma ideia aparece materializada na criatura impossível de Aristófanes. O mito transforma uma questão metafísica em um corpo. A unidade, a duplicidade, a queda e a falta não são apenas conceitos: tornam-se rostos duplicados, quatro braços, quatro pernas e dois conjuntos genitais,. O resultado é simultaneamente cômico, grotesco e monstruoso.

Talvez por isso o mito sobreviva tão bem à sua própria época. Ele pode ser lido como uma teoria do amor, uma alegoria da condição humana, uma reflexão sobre a soberba, uma narrativa religiosa sobre separação e retorno ou simplesmente como a descrição perturbadora de um monstro primordial. E todas essas leituras podem coexistir porque Aristófanes constrói uma imagem suficientemente estranha para comportá-las.

No fundo, a história começa com a pergunta sobre o que éramos antes da queda e termina com a pergunta sobre o que desejamos ser depois dela. A primeira resposta é uma criatura inteira, circular e poderosa. A segunda talvez seja algo mais difícil de definir: um ser que deseja recuperar sua inteireza sem recuperar a soberba que provocou sua queda.

É nesse espaço entre a perda e a promessa de restituição que Eros permanece. Ele é a memória de uma unidade que não existe mais, mas também a esperança de uma unidade que ainda pode existir. Por isso, talvez o amor seja menos o reencontro com aquilo que fomos e mais o desejo de nos tornarmos aquilo que ainda não conseguimos ser.

E, nesse sentido, o mito de Aristófanes deixa de ser apenas uma história sobre duas metades que procuram uma à outra. Ele se torna uma história sobre a própria criaturas fragmentadas, marcadas pela queda, que transformam a experiência da falta em desejo de transcendência. A esfera primordial foi perdida. Resta-nos o desejo de uma forma de completude que talvez nunca tenha existido, mas que, justamente por isso, continua nos movendo.

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O podcast é apresentado por Gabriel Vince. Já foi estudante de filosofia, história, programação e jornalismo. Católico, latino e fã de Iron Maiden. Não dá pra ser mais aleatório que isso.

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