Vertical é o álbum de estreia de Caterina Barbieri, uma artista italiana de vanguarda, reconhecida como uma das figuras mais inovadoras e interessantes da música eletrônica experimental e do minimalismo contemporâneo.
Sua carreira começa no ambiente acadêmico. Ela estudou violão clássico e composição eletroacústica no Conservatório de Bolonha, na Itália. Entretanto, sua trajetória mudou radicalmente durante um intercâmbio na Suécia, onde conheceu o renomado estúdio Elektronmusikstudion (EMS) e descobriu os sintetizadores modulares analógicos.
Neste disco de estreia, Caterina utiliza uma combinação de sintetizadores Buchla 200 e sua própria voz.
O resultado, descrito em sua página no Bandcamp como uma “meditação sobre formas de ondas primárias e polirritmia de harmônicos em sons sintéticos”, é, para mim, ao mesmo tempo espacial e fantasmagórico.
Aqui, Barbieri transita entre o drone, o minimalismo e o techno.
Sua música parece ser construída sobre sedimentos sonoros. Ela empilha várias linhas de sintetizador, umas sobre as outras, como se estivesse explorando, segundo suas próprias palavras, um “potencial estratigráfico” da música.
Apesar de o disco, tecnicamente, estar inserido no gênero da música eletrônica, eu diria que a música de Barbieri, neste trabalho, é mais “elétrica” do que eletrônica.
Nós conseguimos ouvir, nessa abordagem minimalista, uma espécie de modelação artística da voltagem e das frequências estáticas.
Existe em sua música uma espécie de textura, ressonância e magnetismo.
O resultado é interessantíssimo!