Dread, This Could Save You é o segundo EP da banda parisiense Midscale, formada por Yohann Bardoc (guitarrista, letrista, vocalista e arranjador), Eliott Barbot (guitarrista e arranjador, substituindo o guitarrista original Valentin Goubert), Gabrielle de Saint Leger (baixista) e Sébastien Leboucher (baterista).

A banda é bastante recente, mas já se mostra promissora dentro do cenário do Rock Alternativo e do Shoegaze. Até o momento, lançaram apenas um EP em 2022 (Midscale) e um álbum em 2024 (Movements).

A abordagem do grupo costuma ser definida como um shoegaze melódico, ou mesmo um “slowgaze”, adotando uma sonoridade mais limpa e menos agressiva do que aquela normalmente associada ao gênero. Isso, porém, não significa uma aproximação com o pop comercial. Há aqui uma proposta muito mais orientada à beleza etérea e ao minimalismo do que a qualquer tipo de concessão estética.

Em Dread, This Could Save You, a banda mistura dream pop, shoegaze, post-rock e post-punk.

São apenas quatro faixas, mas é nelas que esses gêneros se encontram, se cruzam e se fundem.

O EP abre com “Braincrash”, que começa com uma melodia flutuante de guitarra que, aos poucos, se combina aos vocais suaves de Yohann.

Na segunda faixa, a belíssima “Screengaze”, encontramos um equilíbrio particularmente interessante entre o shoegaze vaporoso, o minimalismo do post-punk e a delicadeza contemplativa do post-rock.

“Blurry”, terceira faixa do EP, apresenta um ritmo mais lento e cadenciado, conduzido por um vocal nebuloso e por notas de guitarra que parecem pingar como gotas de chuva.

Finalmente, “0-1”, com oito minutos de duração, encerra o EP. É, ao lado de “Screengaze”, o grande destaque do disco para mim.

A faixa versa sobre a ansiedade em torno das novas tecnologias e sobre a possibilidade de que, um dia, elas assumam o controle. Os vocais aqui são por vezes gritados, mas nunca se sobrepõem aos instrumentos. Há uma progressão hipnótica que lentamente se desenrola até desembocar em um final minimalista, conduzido por violão folk, teclados atmosféricos e uma suave presença de piano.

Em suma, o Midscale abraça completamente sua hibridez sonora, arrastando o ouvinte para um turbilhão musical que consegue ser, ao mesmo tempo, sensível e controlado.

Belo disco.

Clique aqui para ouvir.

 

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