Megadeth foi um dos discos mais comentados no começo de 2026. Trata-se do décimo sétimo álbum de estúdio e do trabalho de despedida da banda, encerrando quatro décadas de atividade.

Uma das coisas que fizeram esse disco ser tão comentado, além do fato de ser o último álbum declarado de uma das bandas mais importantes e influentes do heavy metal, é sua última faixa: “Ride the Lightning”. Sim, um cover do Metallica.

A recepção de Megadeth e, em especial, dessa música foi, pelo que deu para ler, profundamente polarizada.

Os mais críticos concluíram que Dave Mustaine apenas se mostrou incapaz de deixar o passado para trás.

Não sei se há justiça nesse julgamento e, mesmo que fosse verdade, não acho que isso seja necessariamente desabonador. Gosto da ideia de ver Dave Mustaine reivindicando suas origens e fechando uma ferida histórica de 40 anos fazendo o que ele faz de melhor: música.

Acredito até que o Megadeth encerra de forma coerente o ciclo de sua longeva carreira. A banda começou como uma elaboração furiosa de um ressentimento e terminou da mesma forma.

Os críticos que exigiam de Mustaine um distanciamento maduro e supostamente “adulto” talvez nunca tenham entendido o que sempre moveu o motor do Megadeth: uma constante, e quase infantil, competição com o Metallica.

Há neste disco uma boa demonstração de virtuosismo técnico, como de costume.

Há um bom entrosamento com Teemu Mäntysaari, guitarrista que substituiu Kiko Loureiro neste disco.

No entanto, sua execução, no geral, me soa muito protocolar.

Além disso, a produção excessivamente polida, clínica e higienizada me incomodou um pouco. Gostaria de algo ainda mais “juvenil”. As guitarras de Mustaine e Teemu parecem superprocessadas. Falta um pouco mais de “sujeira” e um pouco menos de “profissionalismo”.

Não me entendam mal. Não vejo nada particularmente errado com as músicas. Elas são até boas. O problema é que são pouco memoráveis. Talvez eu possa abrir uma exceção para a fenomenal “Let There Be Shred”.

De resto, um trabalho OK.

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