O oitavo disco de estúdio do Alter Bridge, lançado neste ano de 2026, é o autointitulado Alter Bridge. Coincidentemente, o novo disco do Megadeth lançado neste mesmo ano se chama Megadeth. Sabe o que isso significa? Isso mesmo que você pensou: absolutamente nada.

Quer dizer, talvez exista alguma relação não combinada entre os dois discos, já que ambos foram elogiados e criticados com base em argumentos muito semelhantes. Assim como Megadeth, do Megadeth, foi considerado previsível e pouco inovador por alguns críticos, este disco também recebeu acusações do mesmo tipo. Foram poucas, é verdade. A maioria das resenhas foi amplamente positiva, mas as críticas existiram.

Assim como o álbum do Megadeth, este trabalho do Alter Bridge também funciona como uma espécie de celebração do legado da banda. É um heavy metal moderno que dialoga com elementos mais pop, mas sem abrir mão de uma certa pegada baseada em riffs robustos, bons solos e execuções técnicas de alto nível.

A estrutura das composições de Myles Kennedy permite à banda circular com facilidade por arenas e grandes festivais. Ao mesmo tempo, Mark Tremonti garante que o som nunca soe raso ou excessivamente banal.

Se você tiver boa vontade com a banda, vai perceber que eles são muito eficientes em ocupar esse espaço intermediário: pesados o suficiente para agradar o fã de metal, mas acessíveis o bastante para quem gosta de algo mais radiofônico.

O meu problema com o Alter Bridge, e não apenas com este álbum, é que eu gosto mais da banda por causa dessa “boa vontade” do que propriamente pelo impacto do que eles fazem. A produção dos discos, em geral, é excessivamente polida, o que acaba retirando parte da crueza que ajudaria a diferenciar um riff do outro.

Tudo soa um pouco esterilizado. O tipo de som do Alter Bridge evita o caos do metal extremo, mas também passa longe do drama e da teatralidade do power metal, do metal sinfônico ou mesmo do metal tradicional.

É uma banda técnica, mas não o suficiente para que se possa encaixá-la com conforto no metal progressivo.

No fim, eles acabam ocupando um território intermediário muito específico. Não chegam a ser radicais, mas também não são totalmente convencionais. Às vezes isso funciona muito bem. Outras vezes deixa a sensação de que faltou um pouco mais de risco.

E vale dizer que isso não parece ser uma característica do metal alternativo em si, mas algo mais próprio do Alter Bridge. Em outras bandas que transitam por territórios semelhantes, é possível perceber identidades estéticas muito mais definidas. Em Trivium, por exemplo, há uma alternância muito clara entre momentos agressivos, passagens melódicas e estruturas que flertam com o metal progressivo. Já em Deftones, o peso vem acompanhado de uma atmosfera muito particular, ao mesmo tempo densa e etérea, quase onírica, como se a música estivesse sempre oscilando entre o impacto físico e uma espécie de suspensão sensorial.

Perto disso, o Alter Bridge às vezes parece confortável demais na própria zona de eficiência. Tudo funciona, tudo é bem executado, mas raramente há aquela sensação de que a banda está tentando empurrar os próprios limites.

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