Valerie e sua Semana de Maravilhas (em inglês, Valerie and Her Week of Wonders e no titulo original Valerie a týden divů) é um filme de terror surrealista tchecoslovaco de 1970 dirigido por Jaromil Jireš, baseado no romance de 1935 de mesmo nome de Vítězslav Nezval.

O filme é considerado parte da Nouvelle Vague Tchecoslovaca, um movimento de cineastas que começaram a fazer filmes na década de 1960.

Os diretores comumente incluídos são Miloš Forman, Věra Chytilová, Ivan Passer, Pavel Juráček, Jiří Menzel, Jan Němec, Jaromil Jireš, Evald Schorm, Hynek Bočan, Juraj Herz, Juraj Jakubisko, Štefan Uher e outros. 

A Checoslováquia, assim como a Polônia, viveu sob duas ditaduras de caráter ideológico distinto mas de perfil totalitário completamente idênticos. O país foi estado fantoche da Alemanha Nazista e, posteriormente, estado fantoche da União Soviética. 

Como a cultura em Estados totalitários sobrevive apenas em função da bajulação do regime vigente, desde a nacionalização da indústria cinematográfica em 1945, o cinema tcheco acabou virando uma obsoleta arma de propaganda ideológica.

Assim como o cinema polonês, a nouvelle vague tchecoslovaca se tornou um orgânico movimento de confronto contra a censura comunista.

A oposição ao regime não veio em uma confrontação política direta, nem de uma afirmação inocente de que a ideologia liberal estadunidense seria uma alternativa salvífica, mas de uma enunciação quase mística dentro de um campo criativo que nenhum regime fanaticamente materialista nunca poderia tocar. 

Assim como na Polônia, as pontas de lança desse movimento foram o cinema surrealista, de humor negro e o terror sobrenatural.

Valerie e sua Semana de Maravilhas é um filme que retrata uma heroína púbere vivendo em um sonho desorientador, persuadida por padres e vampiros.

O filme mistura elementos dos gêneros de fantasia, erotismo e terror gótico.

É curioso ver que esse filme tenha sido censurado em seu país no auge de um regime totalitário de esquerda pois, se este filme fosse feito no ocidente, ele provavelmente teria a mesma recepção entre os conservadores.

Isso por que o filme tem uma certa feição anticlerical e é uma espécie de conto de fadas requintadamente elaborado, tecido em torno do despertar sexual de uma jovem (e quando eu falo jovem, eu quero dizer REALMENTE jovem). 

Se você acha que esse filme vai ser conservador apenas por não ter agradado os comunistas, fique sabendo que este filme há sugestões sexuais que vão do incesto ao lesbianismo (nada explícito, fique tranquilo).

O filme é uma reafirmação suntuosa pagã e piscinalística da descoberta sexual, um mergulho caótico dentro de um universo indomável de descobertas.

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