Toxicity é o segundo álbum de estúdio do System of a Down, lançado em 4 de setembro de 2001, apenas uma semana antes do ataque às Torres Gêmeas, um evento que mudaria para sempre o mundo ocidental.
Como todos sabem, esse momento marcou o início de uma nova era de insegurança, onde a ilusória certeza de proteção desabava junto com os edifícios. A sociedade americana, que antes parecia imune a ameaças externas em seu território, começou a viver sob a sombra do terrorismo dentro de casa.
Em termos globais, a ansiedade e a sensação de vulnerabilidade tornaram-se parte do cotidiano, moldando tanto as políticas externas quanto a percepção geral de segurança. Afinal, se você não se sente seguro nem dentro da maior potência militar da história, onde você pode se sentir seguro?
Toxicity é um álbum que chega logo antes desse evento, assustadoramente próximo do momento mais traumático da história americana, e se torna, hoje, um interessante quadro congelado do debate público nos Estados Unidos até o derradeiro momento de apoteose apocalíptica.
O álbum não fala de guerra nem faz saltos geopolíticos evidentes, como fariam os próximos. Em vez disso, concentra-se em críticas domésticas e em um olhar, ao mesmo tempo honesto, ingênuo e disperso (como é normalmente o rock de protesto), sobre a decadência da sociedade. Aborda temas como a degradação urbana, a vigilância e a forma como o governo controla seus cidadãos — algo que, nos dias de hoje, poderia soar “conspiracionista de direita”, mas que na época era uma pauta recorrente da esquerda.
Além disso, Toxicity aborda questões como encarceramento em massa, problemas ambientais e violência policial, entrelaçando tudo isso com a dependência química, a depressão e os excessos da vida moderna. Embora Toxicity seja normalmente categorizado como metal alternativo e nu metal, considero este álbum o mais deslocado dentro desse gênero. Não consigo identificar exatamente quais características de nu metal ele apresenta, exceto pela típica afinação baixa das guitarras.
Não há elementos de hip-hop, nem na forma mesclada como nos trabalhos do Limp Bizkit e do Korn, nem alternada, como no Linkin Park. Os elementos eletrônicos, típicos do movimento, são escassos, aparecendo apenas em uma das faixas, “Psycho”, apenas como realce temático e não como “parte estrutural” da canção.
O que temos aqui é um disco de metal alternativo com uma levada que lembra o Rage Against the Machine, mas de uma forma mais áspera, reta e experimental. O álbum também incorpora muitos elementos étnicos, da música armênia (nas escalas modais e melodias ornamentadas de Serj Tankian) e da música grega, com um discreto uso de cítaras e banjo. Esse tempero de exotismo, realçado na música pesada, me soou muito interessante na época e continua a me agradar.
A combinação única de influências multiculturais e o retrospecto do contexto ressignificaram, para mim, Toxicity como um produto de época que ressoa uma estranha nostalgia.
Além do carinho por esse disco, gosto da abordagem de “crítica social foda” impoluta da banda (me vendo um pouco neles quando mais jovem) e tenho uma simpatia por Serj Tankian.
Músicas favoritas: “Prison Song”, “Chop Suey”, “Toxicity”, “Psycho!” e “Aerials” — que é, para mim, de longe, a melhor música deles até hoje.