A Sinfonia nº 3 em dó menor, op. 78, é uma das peças mais marcantes na trajetória artística de Camille Saint-Saëns. Completada em 1886, essa obra é frequentemente chamada de Sinfonia de Órgão devido ao uso extraordinário desse instrumento em duas das quatro seções, algo pouco comum para o período romântico tardio. O próprio Saint-Saëns a designou como Sinfonia nº 3 “avec orgue” (com órgão).

A encomenda para essa sinfonia veio da Royal Philharmonic Society, na época conhecida simplesmente como Philharmonic Society, com sede na Inglaterra. A estreia ocorreu em Londres, no St James’s Hall, em 19 de maio de 1886, sob a regência do próprio Saint-Saëns.

Posteriormente, essa obra foi dedicada à memória do amigo e mentor de Saint-Saëns, Franz Liszt, que faleceu em 31 de julho do mesmo ano.

Ao compor essa sinfonia, Saint-Saëns parecia prever que seria sua última incursão no gênero sinfônico, concebendo-a como uma espécie de narrativa de sua própria carreira. O trabalho apresenta passagens virtuosísticas ao piano, uma escrita orquestral brilhante típica do período romântico e a sonoridade imponente do órgão, ideal para catedrais e grandes salas de concerto, onde o instrumento era frequentemente encontrado. O compositor expressou seu sentimento de dar o seu máximo nessa obra, dizendo: “Dei tudo o que pude dar. O que consegui aqui, nunca mais conseguirei.”

Embora tenha estreado em 1886, a Sinfonia nº 3 de Saint-Saëns só foi publicamente apresentada em 1887. Após essa obra, o compositor não se aventurou novamente no gênero sinfônico, deixando-a como um marco significativo e uma despedida memorável desse tipo de composição em sua carreira.

O último movimento desta sinfonia é particularmente notável, sendo responsável por sua reputação como Sinfonia de Órgão. Após uma pausa dramática, os acordes ricamente ressonantes do órgão entram com toda a majestade digna de uma catedral gótica. O tema conhecido que se segue, inicialmente suave nas cordas enquanto o piano ressoa ao fundo, rapidamente se desenvolve em uma marcha majestosa completa com órgão, metais e percussão, como se fosse um desfile de vitória. Ao longo do movimento, o órgão (assim como o piano) é tratado não apenas como um instrumento solo, mas como mais um integrante do conjunto completo. Saint-Saëns estava plenamente consciente da capacidade surpreendente do instrumento e a utilizou para alcançar um efeito magnífico no grandioso final da sinfonia.

A versão da obra é que recomendamos aqui é da Orquestra Filarmônica de Berlim, sob a regência do maestro James Levine e com o organista Simon Preston.

Depois de apresentar a tetralogia sinfônica de Saint-Saens, temos a ótima peça L’Apprenti sorcier, de Paul Dukas, tocada com saideira.

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