Ao Vivo em Montreux” é o décimo primeiro álbum de Gilberto Gil, lançado em 1978. O disco traz Gil em sua primeira participação no lendário Festival de Jazz de Montreux. Gil se apresentou na noite de 14 de julho, após o show do Ave Sangria, Ivinho, Airto Moreira e a Cor do Som.

O repertório de Gil incluiu Chuck Berry Fields Forever e São João Xangô Menino dos Doces Bárbaros (seu antigo grupo com Maria Bethânia, Gal Costa e Caetano Veloso), além da inédita Chororô, Respeita Januário (de Luiz Gonzaga, em uma versão que mistura baião e Led Zeppelin), Ela, Batmakumba, Procissão, Atrás do Trio Elétrico e uma Jam-Session com a Cor do Som e o tecladista do Yes, Patrick Moraz.

Gilberto Gil teve uma atuação impecável.

Apesar de já ter mais de 35 anos de carreira na época e ter lançado 15 discos, uma apresentação desse nível poderia facilmente intimidá-lo. Gil demonstrou estar à vontade no palco que já recebeu Buddy Guy, Bill Evans, Ray Charles, Buddy Rich e Oscar Peterson.

Ele explorou de forma bem-humorada o exotismo que irradiava e interagiu com desenvoltura com uma plateia europeia, brincando e “tirando sua onda” ao dizer, logo no começo do show, “vocês querem que eu fale em inglês, português e francês?”, antecipando o ecletismo que seria apresentado e demarcando claramente que ele não era qualquer um.

As músicas foram apresentadas de forma incrível. Os arranjos das músicas foram ampliados em suas variações formais e moldados em uma mistura de MPB, baião, funk, fusion e rock progressivo, com riffs ásperos e sessões instrumentais elaboradas. Nunca entendi por que ele não fazia isso sempre.

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