Live From Death Row é um álbum colaborativo entre o pianista catalão Albert Marquès e Keith LaMar, ativista e escritor norte-americano que se encontra no corredor da morte em Ohio, nos Estados Unidos, por um crime que afirma não ter cometido.

O crime original pelo qual ele foi preso ocorreu em 1986, em Cleveland, Ohio. Ele foi condenado por esfaquear e matar um amigo durante uma discussão sobre dinheiro de drogas. Sua pena seria de 18 anos.

Entretando, Keith LaMar foi condenado novamente por seu suposto envolvimento nos motins de 1993 na Southern Ohio Correctional Facility (SOCF), em Lucasville. A rebelião, que durou 11 dias, resultou na morte de nove detentos. Segundo a acusação, LaMar teria planejado e participado de assassinatos cometidos durante o levante.

Desde o início, porém, LaMar sustenta que é inocente desse ultimo crime. Sua condenação baseou-se majoritariamente em depoimentos de outros presos que buscavam redução de pena, sem que houvesse evidências físicas, como DNA ou impressões digitais, que o ligassem diretamente aos crimes. Por esse motivo, ele e seus apoiadores, entre eles Albert Marquès, fazem campanha pela reabertura do caso e por um novo julgamento. Atualmente, sua execução está marcada para 13 de janeiro de 2027.

O caráter excepcional do projeto se evidencia já em seu modo de realização. Trata-se do primeiro álbum ao vivo da história gravado com a participação direta de um artista no corredor da morte. Keith LaMar participou do concerto por telefone, recitando poemas e textos em spoken word diretamente de sua cela de confinamento solitário na Penitenciária Estadual de Ohio, onde passa 22 horas por dia há décadas.

Musicalmente, o álbum articula jazz, spoken word e música de protesto, com a colaboração de músicos como Nia Drummond, Caroline Davis, Matthew Garrison, entre outros. O repertório combina composições originais de Marquès com releituras de clássicos como Alabama, de John Coltrane, e Strange Fruit, eternizada por Billie Holiday. Inseridas nesse contexto, essas canções ganham uma carga simbólica ainda mais densa e perturbadora.

O disco se inicia com Woke Up This Morning With My Mind Stayed on Freedom (em português, “Acordei esta manhã com minha mente focada na liberdade”), uma adaptação de uma antiga canção gospel intitulada I Woke Up This Morning (With My Mind Stayed on Jesus).

A versão centrada na ideia de “liberdade” foi criada em junho de 1961 pelo reverendo Robert Wesby enquanto ele estava detido na prisão do Condado de Hinds, no Mississippi. Wesby havia sido preso por participar das chamadas Freedom Rides, protestos integrados em ônibus interestaduais que desafiavam a segregação racial nos transportes públicos do sul dos Estados Unidos.

A canção rapidamente se espalhou pelo movimento dos direitos civis, tornando-se presença constante em marchas e manifestações. No outono de 1961, 114 estudantes a cantaram durante uma marcha da Burgland High School até a prefeitura de McComb, Mississippi, consolidando seu status como símbolo de união e resistência coletiva.

Na versão presente em Live From Death Row, a música ganha uma interpretação especialmente sensível da cantora Nia Drummond. Keith LaMar também participa da faixa, recitando sua poesia e ampliando a carga histórica e emocional da canção.

Em seguida, temos The Journey, uma peça instrumental de quase dez minutos que se destaca como um dos momentos mais inspirados do álbum. A faixa apresenta uma performance notável do piano de Albert Marquès e da flauta de Elsa Nilsson, acompanhados por Matthew Garrison no baixo, Zack O’Farrill na bateria, Milena Casada no trompete, Caroline Davis no saxofone alto, Roy Nathanson no saxofone barítono e alto, e Keyanna Hutchinson na guitarra. O resultado é uma construção sonora fluida, expansiva e profundamente envolvente.

A terceira faixa do álbum, Calling All Souls (“Convocando Todas as Almas”), é uma peça instrumental ampla, com mais de onze minutos de duração, que funciona como um chamado à consciência coletiva. Trata-se de uma das músicas em que Keith LaMar mais se manifesta verbalmente ao longo do disco.

Nela, LaMar fala sobre suas três décadas em confinamento solitário e afirma que a música foi essencial para preservar sua sanidade e evitar que o ódio o consumisse. Ele relata que um companheiro de prisão chamado Snoop o apresentou ao poder transformador da música, permitindo-lhe sublimar a dor e reconstruir sua mentalidade diante do isolamento extremo.

Na sequência, surge Alabama, uma das composições instrumentais de jazz mais sombrias, poderosas e politicamente carregadas da história da música americana. Escrita por John Coltrane em 1963, a obra funciona como uma elegia e um lamento em resposta direta a um ato brutal de terrorismo racial.

Coltrane compôs a música após o atentado a bomba cometido pela Ku Klux Klan contra a Igreja Batista da 16th Street, em Birmingham, Alabama, em 15 de setembro de 1963. Quatro meninas negras, Addie Mae Collins, Denise McNair, Carole Robertson e Cynthia Wesley, foram assassinadas no ataque. O episódio chocou o país e se tornou um ponto de inflexão no Movimento dos Direitos Civis.

A peça se inicia de forma lenta e solene, instaurando uma atmosfera de luto profundo. O saxofone tenor soa como um choro contido, evocando um lamento quase litúrgico, como se recitasse uma oração fúnebre. Ao longo da execução, a dinâmica musical reflete uma trajetória emocional que vai da dor silenciosa à resistência ativa. A entrada progressiva da bateria e o fortalecimento do ritmo transformam a tristeza inicial em determinação e, por fim, em uma expressão de raiva canalizada.

Alabama é um exemplo exemplar de como a música instrumental pode comunicar ideias complexas e emoções profundas, tocando o ouvinte em níveis que muitas vezes escapam à linguagem verbal.

A faixa seguinte, Transformation, figura entre as mais instigantes do álbum. Seus sons iniciais, conduzidos pela bateria de Zack O’Farrill e pela percussão, evocam caos, agitação e desespero, representando o estado mental de LaMar ao chegar ao corredor da morte.

Gradualmente, a música transita para uma batida mais estruturada, próxima de uma marcha militar, que simboliza a ordem rígida e a disciplina opressiva do sistema prisional. É nesse ponto que entra o piano melódico de Albert Marquès, marcando a transformação propriamente dita. O instrumento atua como um elemento de humanização e cura, simbolizando a voz interior que LaMar decidiu seguir na busca por paz e elevação espiritual diante do ambiente hostil.

Nia Drummond assume os vocais e acrescenta uma dimensão de alma e espiritualidade à faixa, incorporando elementos de hinos gospel e cânticos de liberdade. O ponto alto de sua interpretação é o refrão repetitivo e crescente “We want justice” (“Queremos justiça”). A cada repetição, sua entrega vocal se intensifica, transformando a frase em um mantra de protesto carregado de urgência e emoção.

Os solos de saxofone, executados por Roy Nathanson no saxofone barítono, ampliam ainda mais o impacto emocional da música. Longe de serem introspectivos ou suaves, esses solos são cortantes e ardentes, explosões cruas de expressão que traduzem a raiva, a frustração e a tensão latentes ao longo da composição.

Após essa faixa, o álbum apresenta mais uma declaração falada de Keith LaMar, Tell’Em the Truth, que prepara o terreno para a execução de Strange Fruit. Nesse momento, o narrador estabelece uma conexão visceral entre sua cela no corredor da morte e o porão de um navio negreiro, aproximando temporalidades distintas por meio de uma mesma lógica de desumanização.

LaMar dirige então uma crítica simultaneamente dolorosa e afetuosa à geração de seus avós. Filhos diretos de pessoas escravizadas, eles teriam construído um “village” utópico, um espaço de amor, cuidado e abundância simbólica, concebido para proteger os netos da brutalidade da sociedade racista. Essa estratégia de proteção, no entanto, acaba se revelando uma armadilha. Como ele afirma, “muitos de nós ficamos presos na escuridão / e perdemos a luz que deveria nos guiar”. Ao tentar inocular as gerações seguintes contra o ódio explícito, essa geração as deixou vulneráveis a seus mecanismos mais sutis e insidiosos.

O núcleo da mensagem é um apelo por uma desilusão necessária. Falando a partir do ponto mais sombrio possível, o corredor da morte, o narrador pede que se abandone a mentira reconfortante contada às crianças. A verdade, segundo ele, não é que “a vida é justa” ou que “o esforço sempre será recompensado”, mas que a vida não foi feita para ser justa, e sim para ser vivida. Trata-se de um chamado para armar as novas gerações com consciência histórica e política, capacitando-as a reconhecer os truques, as armadilhas e as estruturas que operam silenciosamente para destruí-las.

É nesse clima que se chega ao que talvez seja o ápice da beleza melancólica do álbum: a interpretação de Strange Fruit.

Se toda ópera necessita de um libreto capaz de sondar os abismos da alma humana, Strange Fruit, originalmente um poema de Abel Meeropol e eternizado por Billie Holiday, cumpre esse papel de maneira definitiva. A letra descreve os linchamentos de pessoas negras no sul dos Estados Unidos, comparando corpos pendurados em árvores a “frutos estranhos”, uma imagem de brutalidade poética quase insuportável.

Nia Drummond oferece aqui uma performance que justifica plenamente a comparação com a ópera. Ela não se limita a entoar as notas, mas encena a dor. Seu uso do silêncio e do sussurro no início cria uma tensão quase insustentável, que mais adiante se transforma em explosões de agudos e crescendos que exigem controle técnico e emocional raríssimos.

Há uma teatralidade precisa na forma como ela articula versos como “blood on the leaves” (“sangue nas folhas”) e “black bodies swinging” (“corpos negros balançando”). Drummond assume o papel da testemunha horrorizada, estetizando o espanto e conferindo à faixa o peso de uma verdadeira ária trágica.

O piano de Albert Marquès, por sua vez, abdica de qualquer vestígio de swing ou leveza. Sua abordagem privilegia a dissonância e a solenidade. As notas soam como gotas de chuva espessas ou como passos ecoando em um corredor vazio, ampliando a sensação de luto, suspensão e reverência que atravessa toda a interpretação.

Em seguida, Keith LaMar retorna em mais uma intervenção em spoken word, na faixa On Living.

A frase de abertura, “Living is no laughing matter”, estabelece imediatamente o tom do poema. Não se trata de defender uma existência solene ou destituída de alegria, mas de afirmar uma seriedade que, paradoxalmente, é uma forma profunda de paixão e compromisso com a vida. Essa seriedade se opõe à frivolidade, não à felicidade. Trata-se de levar a vida a sério justamente porque ela importa.

Os exemplos extremos apresentados por LaMar — mãos amarradas, o laboratório, a mesa de cirurgia, a linha de frente de uma batalha, a prisão — funcionam como imagens-limite. É nesses limiares entre vida e morte que a seriedade do viver se revela com mais nitidez. O poema propõe, assim, uma ética: viver seriamente é escolher a vida mesmo quando a morte se apresenta como possibilidade iminente. É rir da piada à beira da anestesia, manter a consciência no meio do combate, viver o “fora” a partir do interior da cela. Em todos os casos, trata-se de recusar tanto o desespero quanto a abstração. A vida, como ele afirma, “pesa mais” (weighs heavier) do que o medo da morte.

Nesse contexto, o verso sobre plantar oliveiras aos setenta anos, “not for your children, either”, surge como um dos gestos mais radicalmente revolucionários do poema. Ele expressa a ideia de uma fecundidade desinteressada, um agir que não busca recompensa, continuidade genealógica ou reconhecimento futuro.

Este é, sem dúvida, um dos momentos líricos mais intensos do disco. O texto evoca tanto a coragem de afirmar a vida por meio do humor diante da morte — como na figura de São Bartolomeu, que fazia piadas durante o próprio martírio — quanto a noção profundamente bela de que as coisas possuem valor em si mesmas, independentemente de legado, memória ou permanência histórica.

Vale a pena cultivar a beleza e a ordem, simbolizadas no gesto simples de plantar oliveiras, pelo valor intrínseco do cultivo. A ação não se orienta por um futuro que será colhido, nem mesmo pelos filhos. Ela existe porque se acredita no ato de viver.

Quando LaMar afirma “you don’t believe in death”, não se trata de uma negação da finitude, mas de uma posição existencial em relação a ela. A crença na vida é tão potente que neutraliza a paralisia produzida pela consciência da morte. Vive-se como se nunca fosse morrer, precisamente porque um dia se morrerá. É essa afirmação paradoxal, lúcida e resistente da vida que faz de On Living um dos núcleos filosóficos mais fortes de Live From Death Row.

Em seguida, surge Acknowledgment, a antepenúltima faixa do disco.

Trata-se de mais uma composição de John Coltrane, aqui reinterpretada a partir de um deslocamento expressivo significativo. O destaque imediato recai sobre a linha de baixo executada com notável precisão e sensibilidade por Matthew Garrison. A espinha dorsal da peça é o célebre motivo de quatro notas que, ritmicamente, “soletra” a frase A Love Supreme.

Garrison sustenta esse motivo como um ostinato, uma célula rítmica que se repete de forma contínua. No contexto de Live From Death Row, essa repetição deixa de ser apenas um procedimento formal e passa a funcionar como uma âncora psíquica. É o som da persistência. Independentemente do grau de tensão ou caos instaurado pelo saxofone ou pelo piano, o baixo permanece firme, figurando musicalmente a resiliência de Keith LaMar.

Albert Marquès acrescenta à faixa aquilo que costuma ser chamado de Spanish Tinge, ou, mais precisamente, uma forte influência do Latin Jazz e dos ritmos afro-caribenhos. Essa escolha estética desloca a peça para um terreno rítmico mais pulsante e corporal.

Em diversos momentos, sobretudo quando a intensidade da música se eleva, Marquès abandona os acordes sustentados e passa a executar montunos. Trata-se de padrões rítmicos repetitivos típicos da música cubana e da salsa, nos quais o piano realiza arpejos sincopados que funcionam como motor da música. Esse recurso imprime à faixa uma ginga e uma propulsão ausentes na versão original de Coltrane, ampliando sua dimensão física e ritualística.

Na sequência, aparece The Drowned and the Saved, mais uma intervenção falada de Keith LaMar.

O texto se inicia com um diagnóstico social contundente, questionando a ilusão coletiva de que o avanço do tempo, a entrada no século XXI, e a mudança das formas visíveis de violência, como o abandono do linchamento público, equivalem a uma superação histórica efetiva. Para LaMar, trata-se de um equívoco fundamental.

A acusação central é dirigida ao sistema de justiça criminal, descrito como um mecanismo de linchamento legalizado. A confusão deliberada entre forma e substância é o artifício ideológico que permite a continuidade dessa violência sob novas roupagens. O narrador se posiciona não apenas como vítima do sistema, mas como seu anatomista, expondo a escolha cruel que o estrutura: “plead guilty to something I didn’t do / or face the death penalty”. O suposto progresso revela-se uma farsa que apenas traduz a violência racial para a linguagem burocrática do Estado.

Nesse ponto, sinto-me compelido a explicitar meu desacordo. A letra parece evocar uma concepção próxima à de Michel Foucault, segundo a qual seria possível conceber uma sociedade na qual a punição penal, tal como a conhecemos, fosse abolida. LaMar sustenta essa visão por meio de uma narrativa dramática ancorada tanto em sua experiência pessoal quanto em sua convicção de inocência.

Considero essa perspectiva perigosa e profundamente enraizada em uma visão utópica e, a meu ver, deletéria (embora, reforço, sou contra a pena de morte). Ainda assim, esse desacordo não diminui o impacto filosófico do texto, nem a coerência interna de sua argumentação. A força da faixa reside justamente na clareza com que ela expõe uma lógica, mesmo quando essa lógica conduz a conclusões contestáveis.

O álbum se encerra com The Truth, a última mensagem de Keith LaMar. Nela, ele retoma sua própria história, revisitando a infância e descrevendo o colapso gradual de sua cidade, processo que se inicia com a desindustrialização e o esvaziamento econômico.

As ruas que ele menciona, Ohio, Lincoln, Florida, funcionam como verdadeiras lápides de promessas não cumpridas. Cada nome carrega a ironia de uma traição histórica, de uma América que promete mais do que efetivamente entrega.

A inserção do aviso automático do sistema prisional, “You have one minute remaining”, constitui o golpe narrativo mais devastador do disco. Ele rasga o tecido da memória e impõe brutalmente o presente carcerário. Esse corte sonoro funciona como prova material do ponto de chegada da história narrada: o menino que amava a ideia de liberdade agora é um homem cuja existência é cronometrada em uma chamada telefônica vigiada.

Há no disco uma espécie de “beleza lo-fi” que atravessa toda a experiência. A voz de LaMar, transmitida por uma linha telefônica de prisão, soa áspera, sem polimento técnico. Essa precariedade, longe de ser um defeito, constitui sua maior força expressiva. O resultado é um protesto sem slogan e uma música sem indulgência, um verdadeiro ato de presença radical.

O álbum integra a campanha Freedom First, cujo objetivo é dar visibilidade ao caso de Keith LaMar e questionar o funcionamento do sistema de justiça criminal norte-americano. Aqui, a música funciona como instrumento de denúncia, mas também como afirmação de humanidade, um meio pelo qual LaMar reivindica sua voz, sua dignidade e sua oposição à pena de morte.

Dito isso, é importante situar meu próprio ponto de partida. Tenho inclinações políticas mais à direita do que à esquerda e uma postura dura em relação ao crime, embora seja categoricamente contrário à pena capital. Ainda assim, não vejo contradição em reconhecer o valor humano e artístico de uma obra como esta, independentemente das convicções políticas do ouvinte ou mesmo da culpa ou inocência de LaMar.

Para mim, a arte opera em outro território. Ela funciona como um prisma que refrata a realidade de maneiras distintas, conforme as premissas que cada ouvinte escolhe adotar. Obras como Live From Death Row não buscam conforto ou consenso, mas fricção. São feitas para provocar desconforto e iniciar conversas difíceis.

Se LaMar for inocente, o álbum se apresenta como um grito de guerra e um documento contundente da injustiça sistêmica. A música e a poesia tornam-se armas legítimas de um homem lutando pela própria vida contra um sistema opressor, despertando indignação e urgência moral. Se, por outro lado, ele for culpado, o disco assume outra dimensão: a de uma meditação sombria sobre a psicologia humana diante da morte iminente. Nesse caso, evoca Dostoiévski e outras obras que exploram a complexidade moral de indivíduos confrontados com o fim, arrependidos ou não, em busca de redenção ou simplesmente afirmando sua existência até o último instante.

Em qualquer um desses cenários, o impacto emocional e o valor artístico do álbum permanecem intactos. A ambiguidade que atravessa o sistema de justiça, essa zona incômoda da dúvida razoável, é precisamente o que permite que Live From Death Row ressoe em múltiplos níveis. O disco se impõe, assim, não apenas como uma obra musical potente, mas como um documento social inquietante, capaz de expor as fraturas éticas, políticas e humanas que preferimos, quase sempre, não encarar de frente.

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