Ryo Fukui e um pouco da história do Jazz no Japão

Ryo Fukui foi um pianista de jazz japonês que marcou profundamente o cenário musical, especialmente no Japão.

Sua jornada musical começou com a aprendizagem do acordeão aos 18 anos, mas foi aos 22 que ele decidiu embarcar na aventura de aprender piano por conta própria, mudando-se para Tóquio. Durante esse período, Fukui teve encontros fortuitos com o saxofonista Hidehiko Matsumoto, que ofereceu valioso incentivo e orientação ao jovem pianista. Apesar dos desafios e momentos de desânimo, Fukui perseverou, aprimorando suas habilidades e moldando seu próprio estilo.

Fukui, como muitos em seu país, se apaixonou pelo jazz após o término da Segunda Guerra Mundial.

Enquanto o resto do mundo começava a esquecer o jazz como música popular, o Japão permaneceu completamente engajado com o gênero naquilo que ele originalmente era: um rítmo baseado em swing.

Esse interesse pelo swing é fundamental para entender o Japão como um lugar do renascimento do jazz  enquanto música popular, enquanto nos Estados Unidos o gênero se tornava mais complexo e abstrato, afastando-se do público em geral.

Nada contra essa evolução, pois trouxe inovações incríveis à música, mas o jazz estava gradualmente se tornando mais acadêmico, enquanto a popularidade fluía para gêneros como funk e rock and roll.

Seis anos após sua mudança para Tóquio, em 1976, Fukui lançou seu primeiro álbum, “Scenery”, seguido por “Mellow Dream” no ano seguinte. Ele continuou a aperfeiçoar suas habilidades em apresentações ao vivo, frequentemente acompanhado por Satoshi Denpo e Yoshinori Fukui (seu irmão) em um trio. O trio realizava apresentações memoráveis no Shinjuku Pit Inn, considerado o clube de jazz mais importante do Japão, bem como no “Sometime” de Kichijōji e no “Jazz Inn Lovely” em Nagoya.

Fukui também expandiu seu alcance internacional, tocando na França e nos Estados Unidos, enquanto começava a compartilhar seu conhecimento como professor de piano jazz para estudantes de todo o mundo.

Em 1992, durante sua visita aos Estados Unidos, Fukui conheceu Barry Harris, um renomado pianista de jazz de Detroit. Os dois desenvolveram uma amizade íntima, com Harris se tornando um mentor essencial para Fukui, auxiliando-o na maestria do bebop. Em 1994, Fukui lançou seu terceiro álbum, “My Favorite Tune”, apresentando suas interpretações de obras originais e clássicos do jazz.

Em 1995, Fukui e sua esposa, Yasuko, abriram o “Slowboat”, um clube de jazz em Sapporo, capital de Hokkaido. Este clube se tornou um ímã para músicos de jazz locais e internacionais, além de servir como um centro de aprendizado onde Fukui compartilhava seu vasto conhecimento musical por meio de aulas e workshops.

O último álbum de Fukui, “A Letter From Slowboat”, foi lançado em 2015 e gravado ao vivo durante suas apresentações no clube de jazz “Slowboat”.

Fukui nos deixou em 15 de março de 2016, vítima de linfoma. Após sua partida, sua esposa  assumiu a administração do clube “Slowboat”, mantendo vivo o legado de seu marido. Barry Harris, amigo de longa data de Fukui, frequentemente dedica suas apresentações à música “Fukai Aijo”, como uma homenagem a Ryo Fukui.

O jazz japonês experimentou um ressurgimento de popularidade no final de 2010, com Fukui e seu álbum “Scenery” na vanguarda desse interesse renovado. Sua música encontrou um público global graças à internet, com muitas de suas faixas disponíveis em plataformas de streaming populares, como YouTube e Apple Music. Esse ressurgimento também alimentou a paixão de colecionadores em busca dos lançamentos em vinil de suas obras, assegurando que o legado de Ryo Fukui continue a inspirar e emocionar as gerações futuras.

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O podcast é apresentado por Gabriel Vince. Já foi estudante de filosofia, história, programação e jornalismo. Católico, latino e fã de Iron Maiden. Não dá pra ser mais aleatório que isso.

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