Kyori: Innervisions é um álbum aclamado do músico e compositor japonês Masakazu Yoshizawa, lançado em 1987.

A obra se destaca por sua fusão entre músicas tradicionais japonesas e influências ocidentais, tanto na instrumentação quanto na estrutura das composições. Costuma ser classificada em um ponto de interseção entre New Age, World Music, Música Tradicional Japonesa, Jazz e Folk.

O título do álbum, Kyori: Innervisions (“visões interiores”), reflete a intenção declarada de Yoshizawa: unir suas raízes culturais japonesas a certas convenções ocidentais por meio de uma “visão interior”. Essa proposta o aproxima do que normalmente se entende por World Music e New Age — mas o disco, a meu ver, ultrapassa essas concepções, alcançando uma dimensão mais interessante.

O resultado é uma música ressonante e dramática, em que cada nota parece carregar o eco de algo que já se foi e, ainda assim, permanece vibrando no ar.

Yoshizawa, que estudou música clássica ocidental antes de se aprofundar no shakuhachi tradicional, utiliza sua formação híbrida não apenas para fundir o antigo e o moderno, mas para contemporaneizar o som tradicional, sem esvaziá-lo de sua essência.

Além do shakuhachi tocado por Yoshizawa, o álbum apresenta diversos instrumentos tradicionais. Entre os colaboradores estão Osamu Kitajima, que toca violão acústico, koto (cítara japonesa) e biwa (alaúde japonês), e Geoffrey Hales, responsável pela percussão.

O álbum é composto pelas faixas “Conceptualism (Johakyu)” — dividida em “Jo / To Begin”, “Ha / To Destroy” e “Kyu / To Hurry” —, “Immortality (Fuma)”, “Mainstreams to Oneness (Kawai)” e “Divine Silhouettes (Yogo)”.

Ouvir Kyori é como caminhar por uma floresta ao anoitecer. A luz se desfaz, o ar vibra com sons antigos, e uma fogueira imaginária se acende ao centro — onde o violão e o shakuhachi contam histórias que não precisam de palavras.

As batidas rítmicas se retraem, abrindo espaço para o tempo suspenso. Tudo flui como um rio de névoa. O violão de Kitajima e o shakuhachi de Yoshizawa se fundem numa só voz, criando uma linguagem não verbal .

Kyori: Innervisions é, em última instância, uma meditação sonora sobre o encontro entre o antigo e o presente, entre o visível e o imaginado.

Belíssimo disco!

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