“Out of Africa” (no Brasil, “Entre Dois Amores”) é um aclamado drama romântico de 1985, dirigido por Sydney Pollack e baseado nas memórias da escritora dinamarquesa Karen Blixen. A história acompanha a própria Karen, uma baronesa que se muda para o Quênia, então colônia britânica, em 1914, para administrar uma plantação de café ao lado do marido, o Barão Bror von Blixen-Finecke (Klaus Maria Brandauer).
Enquanto o marido se mostra infiel e frequentemente ausente, Karen (Meryl Streep) desenvolve um vínculo profundo com a terra e acaba se envolvendo com Denys Finch Hatton (Robert Redford), um homem aventureiro, carismático e inquieto.
A cinematografia de David Watkin é frequentemente citada como o ponto mais forte do filme. As paisagens africanas são captadas de forma grandiosa, quase mítica, criando uma atmosfera sensorial que sustenta boa parte da narrativa.
As atuações de Meryl Streep, com um sotaque dinamarquês convincente e uma combinação precisa de vulnerabilidade e força, e de Robert Redford se destacam pela profundidade emocional e pela química entre os dois, apesar das críticas recorrentes ao sotaque de Redford.
A trilha de John Barry é melancólica, envolvente e funciona muito bem ao intensificar a dimensão emocional da história.
Sydney Pollack dirige com elegância, dando espaço para que silêncios, olhares e pequenos gestos expressem tanto quanto os diálogos. O ritmo propositalmente lento favorece essa construção, embora para alguns espectadores ele possa soar monótono.
Não foi o meu caso. Mesmo com a cadência mais calma, a narrativa é variada e dinâmica, equilibrando a trama central de amor, desprezo e adultério com momentos de perigo e contemplação visual.
Há quem critique o olhar romântico da era colonial e o fato de os personagens africanos ocuparem papéis secundários ou decorativos. Para mim, isso é ao mesmo tempo verdadeiro e irrelevante. O filme parte da perspectiva da baronesa, não da leitura moralizante do intelectual progressista contemporâneo sempre disposto a sinalizar virtude.
Sim, Out of Africa é centrado na paixão de uma aristocrata europeia e usa a África como pano de fundo exuberante, selvagem e indomável. Não vejo nada particularmente ofensivo nisso. Além disso, o filme não ignora totalmente a questão do colonialismo, já que o personagem de Redford verbaliza críticas claras ao domínio europeu.
Em suma, Out of Africa superou minhas expectativas. Imaginei que seria tedioso, já que não faz parte do tipo de cinema que costumo buscar, mas acabei achando o filme interessante, sensível e muito competente naquilo que se propõe a fazer.