Volumen Brutal é o segundo disco de estúdio da banda espanhola de Heavy Metal Barón Rojo, lançado originalmente em fevereiro de 1982.
Esse disco é o que melhor define, pra mim, o conceito de subestimado.
Não que o disco não tenha performado bem comercialmente. Quando saiu, foi um sucesso gigantesco, vendendo cerca de dois milhões de cópias mundialmente e chegando a ganhar uma versão integralmente regravada em inglês no mesmo ano. O disco original é todo cantado em espanhol.
Inclusive, uma curiosidade: Bruce Dickinson, do Iron Maiden, era muito amigo do grupo e ajudou pessoalmente na tradução e adaptação das letras do disco para o inglês.
Eu digo subestimado porque este disco é, pra mim, um dos maiores trabalhos de Heavy Metal e Hard Rock de 1982, ao lado de The Number of the Beast, do Iron Maiden, Screaming for Vengeance, do Judas Priest, Restless and Wild, do Accept, e Blackout, do Scorpions. Acho curioso que o disco não esteja entre os primeiros lembrados quando se fala daquele ano.
O único motivo pelo qual eles não são tão lembrados quanto Iron Maiden, Scorpions ou Judas Priest, na minha opinião, é o fato de cantarem em espanhol.
Se os irmãos Carlos de Castro, guitarra e vocais, e Armando de Castro, guitarra e backing vocals, tivessem nascido em Birmingham ou em Los Angeles e cantassem originalmente em inglês, o Barón Rojo seria hoje headliner permanente do Wacken Open Air e do Hellfest, dividindo o mesmo status lendário de bandas como Judas Priest ou Saxon.
Infelizmente, o mercado fonográfico anglo-saxão sempre foi extremamente isolacionista. Mesmo contando com o apoio de Bruce Dickinson e com o lançamento de uma versão em inglês, bandas da Europa Continental encontravam muita dificuldade para serem absorvidas pela indústria britânica e americana. As poucas exceções eram grupos alemães como Scorpions e Accept, que já haviam feito a transição para o inglês logo nos primeiros discos e, com isso, conseguido maior inserção no mercado internacional.
O disco ainda é considerado um divisor de águas, sendo um dos trabalhos mais importantes da história do metal em espanhol e demarcando um período de liberdade cultural na Espanha após o regime autoritário e conservador de Francisco Franco.
Musicalmente, o disco é uma obra-prima do Heavy Metal mundial, como eu disse.
Riffs pesados que passeiam pelo Blues Rock, pelo Hard Rock e pelo Heavy Metal, ótimos solos de guitarra e elementos bastante distintivos e originais, como o solo de saxofone, muito bem colocado, em músicas como Son como Hormigas.
Diferente de muitas bandas da NWOBHM que buscavam principalmente velocidade e peso, o Barón Rojo mantinha aquela “cozinha” swingada e rica, filha direta do rock dos anos 70, especialmente Deep Purple e Led Zeppelin. Isso dava um groove muito particular às músicas.
Liricamente, o disco passeia entre canções festivas, afirmações de um estilo de vida e de uma identidade roqueira, além de críticas sociais bastante pertinentes, especialmente em músicas como Incomunicación, Resistiré e a já mencionada Son como Hormigas.
Enquanto muitas bandas anglo-saxãs de 1982 cantavam sobre fantasia, masmorras, dragões, demônios ou clichês sexuais, o Barón Rojo cantava sobre a realidade de uma juventude que estava finalmente respirando depois de anos de asfixia cultural.
Existe ali um senso de urgência e alívio que, de certa maneira, pode ser comparado ao de bandas que surgiram depois do fim do socialismo e durante a decadência da União Soviética. É a sensação de uma cultura que volta a respirar e de uma geração que, depois de anos de repressão, finalmente pode olhar para frente.