O começo dos anos 1980 foi um período particularmente interessante para o Heavy Metal. Depois de uma década de consolidação, algumas bandas começaram a empurrar os limites do gênero, levando o som para caminhos cada vez mais rápidos, pesados e agressivos.

Na Europa Continental, esse processo acontecia de maneira especialmente intensa.

Diferentemente dos Estados Unidos, a cena europeia parecia menos preocupada em tornar o Heavy Metal acessível. Havia mais espaço para o excesso. A influência da New Wave of British Heavy Metal, o movimento mais importante do gênero para mim, já havia atravessado o Canal da Mancha e encontrado terreno fértil em diversos países. Suas ideias seriam absorvidas e radicalizadas por novas bandas, que começavam a levar o Heavy Metal para territórios cada vez mais extremos.

É nesse contexto que surge o Acid, banda belga que lançou seu primeiro disco, autointitulado Acid, em 1982. Ouvir o álbum hoje é interessante justamente porque ele parece existir em um lugar de transição. O Heavy Metal tradicional ainda está muito presente, mas algumas das características que seriam fundamentais para o desenvolvimento do Speed Metal e do Thrash Metal já começam a aparecer.

A banda contava com sua formação mais icônica: a lindíssima e carismática Kate de Lombaerd nos vocais, a dupla de guitarristas Demon e Dizzy Lizzy e a cozinha formada por T-Bone no baixo e Anvil na bateria.

A influência da New Wave of British Heavy Metal é evidente, principalmente de bandas como Venom e Raven. Mas o Acid não soa simplesmente como uma cópia dessas referências.

O disco tem uma sonoridade crua particular: ele é direto e pouco preocupado em esconder suas limitações. Os vocais de Kate não possuem grande alcance, mas têm muita personalidade.

O baixo e a bateria são, para mim, um dos grandes destaques do disco. Os dois trabalham muito bem juntos e criam uma sensação constante de velocidade e vertigem. O uso frequente do bumbo duplo dá bastante preenchimento às músicas e me faz pensar inevitavelmente no Motörhead, especialmente em Overkill.

As guitarras também são bastante expressivas, embora a mixagem, não faz nenhum favor a elas, deixando o som relativamente abafado. Ainda assim, há peso, agressividade e, principalmente, boas ideias de riffs e solos.

O mais interessante em ouvir Acid hoje é justamente essa perspectiva histórica. Nós sabemos no que aquelas sementes iriam se transformar. Poucos anos depois, Metallica, Slayer, Exodus, Kreator e tantas outras bandas levariam a velocidade, a agressividade e a densidade do Heavy Metal para outro patamar.

O Acid ainda não está nesse lugar. Seu disco continua muito ligado ao Heavy Metal e ao Hard Rock do começo dos anos 1980. Mas é possível ouvir algumas dessas ideias surgindo, ainda de maneira embrionária, antes que ganhassem forma definitiva no Speed Metal e no Thrash Metal.

É por isso que Acid me parece um disco tão interessante. Não apenas pelo que ele é, mas também pelo lugar que ocupa nessa história. É um registro de uma época em que o Heavy Metal estava descobrindo que poderia ser mais rápido, mais agressivo e mais extremo.

Para quem gosta de Heavy Metal, é um disco que vale muito a pena conhecer.

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