The End Is High, quarto álbum de estúdio da banda polonesa Belzebong, lançado em 20 de fevereiro de 2026 pelo selo Heavy Psych Sounds, marca o retorno do grupo após quase uma década sem material inédito. Nesse retorno, a banda mantém sua identidade sem concessões: uma música inteiramente instrumental, baseada em riffs densos, saturados de fuzz, que constroem uma atmosfera pesada e psicodélica.

O disco é composto por quatro faixas longas, de andamento arrastado, estruturadas a partir da repetição e de pequenas variações. A escuta exige uma postura específica. O tempo se alonga, e a percepção se ajusta gradualmente ao fluxo contínuo dos riffs. As músicas não caminham para um desfecho definido; sustentam um estado que se prolonga ao longo de toda a execução.

Essa abordagem se insere na tradição estabelecida por Black Sabbath, especialmente em Sweet Leaf, do álbum Master of Reality. A afinação grave, os riffs lentos e a repetição constante definem uma forma de experiência musical centrada no peso, na duração e na imersão.

Na Belzebong, a formação com dois guitarristas (Cheesy Dude e Alky Dude), baixo (Sheepy Dude) e bateria (Hexy Dude) atua de maneira integrada. Não há protagonismo individual. O som se organiza como um bloco, no qual cada instrumento reforça a densidade geral. Essa unidade sustenta o caráter hipnótico presente em todo o disco.

Acho interessante a capacidade do stoner rock de sugerir uma relação particular com a ideia de lucidez. A repetição, o peso e a lentidão indicam uma recusa da aceleração característica do mundo contemporâneo. Há uma suspensão deliberada da urgência. O foco se desloca para a experiência sensorial, para o impacto físico do som e para a permanência em um estado contínuo.

Às vezes, penso nessa estética como uma forma de niilismo difuso, ao mesmo tempo compreensível e atraente. A busca pelo entorpecimento aparece como resposta a um cenário em que a clareza racional perde valor.

The End Is High, da Belzebong, sustenta essa proposta com coerência ao longo de sua duração e na relativa uniformidade das músicas. O disco não depende de variações bruscas ou de estruturas complexas. Sua força está na insistência, na construção gradual de um ambiente sonoro e na capacidade de manter o ouvinte imerso.

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