In grief or in hope é o décimo álbum de estúdio da banda canadense de metal experimental BIG|BRAVE, lançado em junho de 2026.

O disco transita entre Drone Metal, Post-Metal, Noise Rock e Minimalismo.

O álbum é marcado pela ausência completa de bateria.

O foco está na parede de distorções construída pelo baixo de Liam Andrew e pelas guitarras de Mathieu Ball e Robin Wattie (que também assume os vocais), além da engenharia de som e da mixagem de Seth Manchester.

Apesar do peso esmagador das guitarras e da estrutura baseada no drone, o álbum aproxima a banda, de forma inédita, de construções melódicas mais limpas.

A ausência de bateria não significa, porém, a ausência de um trabalho percussivo. É o baixo que assume essa função, comportando-se como um bumbo, mas com uma sustentação longa e distorcida que preenche o espaço de forma contínua e granulada.

Junto às guitarras de Mathieu e Robin, ele forma uma massa sonora em que ritmo e melodia deixam de ocupar papéis claramente definidos.

O conteúdo lírico de In grief or in hope, escrito por Robin Wattie, investiga a dualidade entre angústia pessoal e esperança. A obra aborda temas como mortalidade, culpa e a coexistência desses sentimentos, transformando dores individuais em um acerto de contas coletivo.

As letras exploram a aceitação serena da morte e a busca por alívio, ao mesmo tempo em que lidam com o peso psicológico do trauma e do isolamento. A filosofia central do álbum propõe que o luto e a esperança ocupam o mesmo espaço emocional, unindo sofrimento e resiliência.

A capa do disco parece refletir com precisão tanto o conceito das letras quanto o da própria música.

Vemos um saco de lixo preto fotografado de tal forma que, às vezes, ele se assemelha a um mineral escuro de brilho vítreo. Trata-se de um objeto absolutamente ordinário que, sob uma iluminação cuidadosamente construída, perde sua identidade imediata e passa a parecer uma escultura ou um objeto raro.

É difícil não interpretar essa imagem como um comentário sobre a própria arte, que procura estetizar dores que, no fim das contas, são banais e universais.

O luto e a dor, embora pareçam sentimentos monumentais, devastadores e únicos para quem os experimenta, estão entre as experiências mais ordinárias, inevitáveis e comuns da existência humana. Ao transformar um saco de lixo em algo que lembra um mineral precioso por meio da luz, a capa traduz aquilo que a arte faz com o sofrimento: toma uma dor mundana, que todos procuram esconder ou descartar, e a transforma em algo digno de contemplação.

A aparência de um raro mineral escuro, de brilho vítreo, esconde sua verdadeira natureza: um simples saco de lixo.

Musicalmente, o BIG|BRAVE realiza exatamente o mesmo processo. A banda parte dos elementos mais básicos do rock e do metal e estica esses ruídos familiares até que percam sua identidade evidente, transformando-se em texturas abstratas, quase escultóricas.

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