Change é um álbum de estúdio de Andrew Hill, lançado oficialmente apenas em 2007, embora as gravações tenham sido realizadas em 1966 para o selo Blue Note.
O disco tem uma história de lançamento conturbada. Originalmente planejado para sair em 1967, ele acabou sendo adiado indefinidamente e arquivado pela gravadora, apesar de já possuir número de catálogo. Somente em 1975, parte do material veio a público — mas de forma curiosa: as faixas apareceram em um LP duplo chamado Involution, creditado ao saxofonista Sam Rivers, que havia participado da sessão original com Hill.
Andrew Hill gravou as seis faixas de Change em 7 de março de 1966, com um quarteto formado por Sam Rivers (saxofone tenor), Walter Booker (baixo) e J.C. Moses (bateria). Separadamente, no ano seguinte, Rivers liderou sua própria sessão com um sexteto distinto, também para a Blue Note — gravações que, assim como as de Hill, permaneceram inéditas por anos.
Quando Involution foi lançado em 1975, a Blue Note — já sob a administração da United Artists — decidiu reunir as duas sessões (a de Hill e a de Rivers) em um mesmo álbum, creditando o trabalho inteiramente a Sam Rivers. Posteriormente, a parte correspondente a Rivers foi relançada sob seu nome com o título Dimensions & Extensions. Já as gravações de Andrew Hill só foram devidamente reconhecidas em 1995, quando integraram a caixa The Complete Blue Note Andrew Hill Sessions (1963–66), lançada pela Mosaic Records. Apenas em 2007, mais de quarenta anos após as sessões originais, Change recebeu finalmente um lançamento individual em CD, incluindo duas faixas alternativas como bônus.
A crítica especializada considera Change uma obra significativa e à frente de seu tempo, marcando a transição de Andrew Hill para uma estética mais vanguardista. Apesar de ousado, o disco não se enquadra completamente na categoria de Free Jazz — estilo frequentemente associado a seus trabalhos da época. Trata-se, antes, de um jazz estruturado, que preserva o rigor da composição, mas abre amplos espaços para a improvisação e para a exploração de direções rítmicas e harmônicas pouco convencionais.
Composições como “Violence” exemplificam essa abordagem: ideias musicais são apresentadas sem uma resolução tradicional, criando tensão e movimento contínuo.
O repertório de Change inclui as faixas “Violence”, “Pain”, “Illusion”, “Hope”, “Lust” e “Desire”, sendo que “Violence” e “Desire” contam com versões alternativas.