Ouvi pela primeira vez (sim, pela primeira vez) o famoso Brasilian Skies, de Masayoshi Takanaka.
Demorei para ouvir o disco porque já havia escutado algumas músicas aleatoriamente e visto alguns vídeos.
Nessa vertente de jazz fusion mais polido produzido no Japão, o Casiopea já costuma ser suficiente para mim.
Brasilian Skies é, basicamente, um Casiopea com elementos de samba.
Existe uma dimensão quase estereotipada de brasilidade nesse disco, marcada pelo maximalismo percussivo, pela cuíca e por muitas daquelas marcações melódicas do jongo (“iaiá”, “iôiô” e “iê-iê-iê”), que o Cartola odiava, mas que, pessoalmente, não me incomodam.
Antes de sermos tristemente projetados como um país violento, corrupto e salpicado de favelas, existia uma percepção do Brasil como um lugar exótico, paradisíaco, solar e alegre. É justamente essa imagem que o disco traduz.
Essa percepção não surgiu do nada. Ela foi impulsionada durante o governo de Getúlio Vargas, com a institucionalização do carnaval e do samba, além da valorização das feições litorâneas e cariocas como representação da identidade nacional.
Obviamente, trata-se de uma figuração reducionista, romantizada e caricatural do país. Mas quem realmente liga? Havia, ao menos, um soft power positivo sendo construído, algo que hoje parece estar sendo gradualmente demolido.
Adorei o disco. Takanaka surfou nessa onda como ninguém, usando o Brasil como um conceito estético de uma utopia solar.