Ascente Effort, segundo disco do trio americano Rhododendron, é daqueles álbuns que dificilmente vão conquistar alguém de primeira.

É um trabalho predominantemente instrumental e atmosférico, construído com muita paciência. As músicas não parecem interessadas em chegar rapidamente a algum clímax. Elas vão se formando aos poucos, acumulando camadas, tensão e textura, mesmo que isso signifique passar três ou quatro minutos em uma espécie de elaboração instrumental antes de finalmente revelar para onde estão indo.

Não há refrões fáceis (aliás, não há refrões), melodias imediatamente cativantes ou estruturas convencionais de verso, ponte e refrão.

Ascente Effort apenas exige que você permaneça dentro das músicas tempo suficiente para perceber o que está acontecendo.

Vencida essa resistência inicial, o disco começa a entregar suas recompensas.

O que temos aqui é um trabalho baseado principalmente em riffs cortantes e em uma interação muito intensa entre baixo e bateria. A guitarra muitas vezes parece funcionar como uma ferramenta de tensão, criando formas angulares, ruídos e texturas que se chocam com uma cozinha pesada e extremamente dinâmica.

O disco transita entre Math Rock, Jazz, Drone, Noise Rock, Post-Hardcore e Metal, mas não parece simplesmente alternar entre esses gêneros. As influências são dissolvidas umas nas outras e reaparecem de maneira bastante orgânica. Em determinados momentos, há a precisão quase matemática do Math Rock; em outros, a improvisação e a liberdade rítmica do Jazz. Em seguida, tudo pode desabar em uma parede de ruído, em um riff pesado ou em uma passagem que parece saída de algum lugar entre o Post-Hardcore e o Drone.

E existe uma característica que atravessa boa parte do álbum: sua viscosidade.

As músicas parecem se mover através de algum tipo de matéria espessa. Mesmo quando o trio acelera e transforma tudo em uma massa caótica de riffs, bateria e distorção, existe uma sensação de peso e resistência. As notas não simplesmente passam. Elas se arrastam, grudam umas nas outras e deixam resíduos. É uma música que muitas vezes parece ter uma consistência quase física, como se fosse possível tocar a superfície daquele som.

Essa característica fica ainda mais evidente nas passagens lentas. Em vez de funcionarem apenas como momentos de descanso entre as explosões, elas parecem dissolver completamente a noção de tempo. O disco pode ficar contemplativo, hipnótico e quase imóvel por alguns instantes, mas nunca exatamente tranquilo. Existe sempre alguma coisa se movimentando por baixo da superfície.

Por isso, Ascente Effort consegue alternar momentos de violência quase abrupta com trechos lentos, viscosos, contemplativos e, ocasionalmente, até melódicos. A dinâmica do álbum está justamente nesse contraste. Uma passagem pode parecer estar se arrastando por uma lama sonora durante minutos, apenas para subitamente explodir em riffs secos e bateria frenética.

É um disco que recompensa a insistência. Não necessariamente porque suas músicas se tornam mais fáceis depois de algumas audições, mas porque você começa a perceber a lógica própria daquele caos. Aos poucos, aquilo que inicialmente parecia apenas uma massa densa e difícil de atravessar começa a revelar pequenas estruturas, texturas, ritmos e diálogos entre os instrumentos.

Ascente Effort não é exatamente um disco para ouvir procurando uma música favorita. É mais interessante encará-lo como uma experiência contínua, quase como entrar em um ambiente sonoro estranho e permanecer ali por algum tempo. Quanto mais você fica, mais percebe que aquela aparente desordem possui uma arquitetura própria.

Clique aqui para ouvir.

 

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