“A Quarta Dimensão” é um filme experimental sem diálogos dirigido por Zbigniew Rybczyński, com trilha sonora composta pelo jazzista Michał Urbaniak.

A música desempenha um papel essencial na obra, funcionando como um complemento estético e temático. Por isso, destaquei o compositor.

O filme não segue um enredo convencional. Sua narrativa se resume à filmagem de objetos e duas pessoas — um homem e uma mulher — que se distorcem em espirais, entrelaçando-se em movimentos hipnóticos. Não há diálogos ou desenvolvimento dramático; tudo se desenrola ao som da música, que alterna entre jazz, música clássica e ritmos caribenhos.

Dentro de sua proposta experimental, “A Quarta Dimensão” é um bom filme. A crítica mais relevante recai sobre sua duração: os 27 minutos poderiam ser condensados em 15, já que a repetição da mesma ideia visual — embora poética — torna-se cansativa.

Há uma clara alusão a Adão e Eva, com os corpos evocando o intercurso sexual, fundindo-se e serpentando — e é basicamente isso que podemos falar do tema.

Em retrospecto, o filme antecipa a estética vaporwave: duas pessoas belas (com aquela beleza clássica, antes disso ser um crime de ódio) em uma ambientação onírica, com bustos gregos, vasos de flores, objetos abstratos e uma janela à la Magritte — o único elemento fixo do cenário.

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