Asian Glow é o nome artístico de Shin Gyeongwon, músico sul-coreano que transita entre o slacker rock (uma mistura de rock alternativo e lo-fi) e shoegaze.
Sua carreira começou por volta de 2020, com o disco Nosferadoof, e desde então ele vem lançando um álbum a cada um ou dois anos.
11100011 é seu lançamento mais recente até a data deste texto — saiu em janeiro de 2025 — e foi o primeiro que realmente parei para ouvir.
Meu interesse surgiu por acaso, motivado unicamente pela capa curiosa e intrigante do disco.
Trata-se de uma colagem feita por Jun Mineoka, na qual vemos uma garota asiática usando uniforme escolar, sentada em uma estrutura metálica de um poste de eletricidade. Ela está concentrada em um celular flip (modelo antigo), completamente alheia ao ambiente ao redor.
Naturalmente, o clima do álbum acompanha essa proposta visual: é um disco profundamente marcado pela melancolia, introspecção, isolamento e desejo de fuga.
E o pouco que consegui traduzir das letras enquanto ouvia confirmou essa atmosfera. Elas ecoam uma beleza resignada — de aceitação, fragilidade, tensão entre quietude e movimento, entre saudade e perda, estagnação e fluxo, isolamento e desejo de conexão. Tudo isso envolto em uma névoa imprecisa, como o ruído leve e constante de uma TV mal sintonizada em volume baixo.
Coisa de jovem? Sem dúvida. Mas e daí? Já superei esse desprezo performático por tudo que é adolescente. De repente, todo mundo que eu conheço tenta emular Nelson Rodrigues sem ter metade da genialidade ou da autenticidade dele.
É claro que tudo isso pode ser o reflexo de uma angústia monumental baseada em algum probleminha banal da adolescência — uma decepção amorosa que assume proporções existenciais. Mas Shin sabe como transformar essa matéria-prima emocional em arranjos criativos. Bom disco.
Musica favorita: Jitnunkebi (Winter’s Songs).