21 de setembro: 47 anos de Unleashed in the East, do Judas Priest.

Como vocês sabem, eu sustento a tese de que o Heavy Metal nasceu de verdade no Judas Priest.

Tudo aquilo que viria a se tornar Iron Maiden, Metallica, Helloween e Slayer já estava bastante amadurecido nos discos lançados entre 1974 e 1978.

Com toda licença ao Black Sabbath, ao Deep Purple, ao Rainbow e ao Led Zeppelin, ainda faltava ao estilo se emancipar do Blues (chore, Lobão) e da psicodelia sessentista.

Não que o Blues e a psicodelia tenham desaparecido. Eles apenas passaram a ocupar um lugar secundário dentro de uma estrutura que privilegiava riffs mais rápidos, palhetadas mecânicas e precisas, palm muting, agudos e harmonias melódicas de guitarra.

Na verdade, o Blues foi até resgatado pelo Iron Maiden com Dave Murray, só para mostrar como o Lobão é ignorante em relação à banda.

Há, para mim, uma necessidade imperativa de que o Heavy Metal seja barulhento, ruidoso, repetitivo e mecânico e, se possível, com pouco swing, que é justamente uma das coisas que o diferenciam do Hard Rock.

A substituição do swing pela marcha é o que, de maneira distintiva, define o Heavy Metal.

Os músicos cresceram cercados por fábricas metalúrgicas, prensas hidráulicas, ruído incessante e concreto. Todo esse cenário industrial, quase pós-apocalíptico, precisava ser traduzido de alguma maneira em música.

A galera do Black Sabbath viveu isso e, de alguma forma, isso se reflete na música. No entanto, ainda existe ali uma certa proximidade com a cultura hippie, com a psicodelia e com o Jazz.

Eu vejo o Heavy Metal como uma espécie de folk industrial, que utiliza a distorção para traduzir um ambiente fabril.

É o Judas Priest que transforma, de verdade, a seção rítmica em uma espécie de pistão hidráulico. As guitarras distorcidas, por sua vez, parecem solidárias ao chiado do vapor, ao atrito das engrenagens e ao zumbido dos motores elétricos dos ambientes industriais que cercaram a formação dos músicos.

As próprias letras do Priest ajudaram a estabelecer aquilo que se tornaria um dos padrões do Heavy Metal: uma fantasia escapista, dionisíaca e épica, construída em uma linguagem distópica. Uma obsessão pela velocidade, pelo fim do mundo, por máquinas trituradoras, vingadores messiânicos, ditadores, guerras, patriotismo e estética homoerótica.

Se eu pudesse ser mais específico e criterioso, diria que o Heavy Metal nasceu quando o Judas Priest foi para o Japão.

O ponto inaugural, de fato, para mim, é Unleashed in the East, de 1979, pois o álbum pegou todas essas características que já existiam na banda, juntou-as à energia de um show ao vivo e pôs fim às mixagens mais contidas e abafadas. Tudo isso beneficiado pela ótima engenharia de som dos japoneses e pelos excelentes equipamentos de captação utilizados no Kosei Nenkin Hall e no Nakano Sun Plaza.

Para mim, esse é o primeiro disco de Heavy Metal.

Viva o cuecão de couro.

Músicas favoritas: Exciter, Sinner, Victim of Changes (essa música basicamente inventou o Iron Maiden) e Genocide.

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