There for None to See é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa Grand Prix, lançado em 1982 e produzido por Greg Walsh.
Trata-se de um disco que mescla Hard Rock com aquilo que havia de mais popular na época: o AOR, estilo marcado por melodias acessíveis e arranjos pomposos de teclados.
Por ser uma banda inglesa inserida no contexto do Rock pesado do início dos anos 1980, o Grand Prix costuma ser associado à NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). Entretanto, o grupo é de outra cepa. Sua música é mais melódica e está estilisticamente mais próxima de bandas como Queen, Journey, Kansas e Styx do que da sonoridade mais agressiva que costuma ser associada ao movimento britânico.
As músicas são variadas e apresentam arranjos refinados. Por trás de todo o apelo comercial , o Grand Prix não deixa de ser uma banda bastante competente naquilo que faz.
Os teclados têm um papel importante na ornamentação dos arranjos, enquanto as guitarras oferecem um contraponto mais áspero. Os vocais, por sua vez, privilegiam as melodias e os refrões marcantes.
Não há fillers neste disco. As faixas exploram diferentes possibilidades dentro da articulação entre Hard Rock, AOR e Rock Progressivo. São onze músicas distribuídas ao longo de pouco mais de quarenta minutos, sem excessos ou escassez.
Este álbum também marca a estreia do vocalista irlandês Robin McAuley, que substituiu Bernie Shaw e, alguns anos mais tarde, alcançaria maior projeção internacional ao lado do guitarrista Michael Schenker, no McAuley Schenker Group.
McAuley gravaria mais um álbum com o Grand Prix, Samurai, lançado em 1983.
Bernie Shaw, por sua vez, também seguiria um caminho interessante: em 1986, juntou-se ao Uriah Heep, onde dividiria espaço com outro ex-integrante do Grand Prix, o tecladista Phil Lanzon. Ambos permaneceriam na banda por décadas, tornando-se figuras centrais de uma das formações mais longevas do grupo. É curioso pensar que dois músicos que passaram pelo mesmo projeto acabariam construindo uma parte tão importante de suas carreiras na mesma banda, ainda que em momentos diferentes.
Acho interessante esse intercâmbio de integrantes entre bandas excelentes daquela época. Tenho a impressão de que havia uma circulação de músicos que permitia à musicalidade de cada um transbordar entre diferentes projetos. No caso do Grand Prix, isso fica ainda mais evidente quando observamos o que aconteceu com seus integrantes depois do fim da banda.
Além de Robin McAuley nos vocais, temos Phil Lanzon nos teclados, Michael O’Donoghue nas guitarras, Ralph Hood no baixo e Andy Beirne na bateria. O grupo ainda lançaria Samurai antes de encerrar suas atividades em 1984, deixando uma discografia curta, mas bastante interessante para quem gosta de Hard Rock melódico e AOR.
O Grand Prix talvez não tenha alcançado o reconhecimento de outros nomes de sua geração, mas There for None to See é uma boa demonstração de que a NWOBHM e o Hard Rock britânico do período eram muito mais diversos do que os rótulos normalmente sugerem. Graças a Deus.