Zipper Catches Skin é o décimo quarto disco do Alice Cooper (ou o sétimo, se você considerar apenas sua carreira solo, iniciada com Welcome to My Nightmare), lançado em meados de agosto de 1982 pela Warner Bros. Records.

Trata-se de um dos discos mais atípicos da carreira de Alice Cooper. Embora ainda conserve alguns elementos do hard rock, o álbum se aventura por territórios mais próximos da New Wave e do Post-Punk, com músicas mais cruas, enérgicas e sem grandes floreios.

Muita gente torce o nariz para este disco, mas eu simplesmente adoro.

Sim, podemos dizer que Zipper Catches Skin é reflexo de uma fase complicada para Alice Cooper, que estava visivelmente exausto e enfrentando inúmeros problemas pessoais relacionados ao abuso de substâncias.

Em comparação com seus trabalhos anteriores, há aqui uma sonoridade mais anêmica, cansada e até meio desleixada. Ainda assim, existe um músico criativamente engajado em explorar caminhos que estavam bem longe de sua zona de conforto.

O que muita gente interpreta como falta de foco, eu interpreto como ousadia.

E, de certa forma, até essa sonoridade anêmica e cansada acaba sendo parte do charme do disco. Ela tira um pouco o polimento das grandes produções de arena e entrega algo muito mais direto, minimalista e, paradoxalmente, autêntico. Eu acho esse disco incrivelmente gostoso de ouvir.

Além disso, o álbum é repleto de bons riffs. Achei o trabalho de Dick Wagner e John Nitzinger bastante decente.

As letras também são ótimas. Estão carregadas de sarcasmo, humor e ironia, além de referências à cultura pop da época, passando por personagens como Zorro, Scrooge e Yosemite Sam, dos Looney Tunes.

Há também uma bela balada chamada I Am the Future, que fez parte da trilha do clássico cult distópico canadense Class of 1984, filme sobre violência e gangues juvenis em uma escola pública. A letra combina perfeitamente com aquele espírito rebelde, niilista e sem grandes expectativas associado à juventude punk do início dos anos 1980.

No fim das contas, talvez Zipper Catches Skin não seja o Alice Cooper que muita gente queria ouvir em 1982. E talvez seja justamente por isso que eu goste tanto dele.

Sinceramente, como alguém consegue não gostar desse disco?

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