Obsessão é um terror psicológico escrito e dirigido por Curry Barker e produzido pela Blumhouse Productions.

A história acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem tímido que trabalha em uma loja de discos. Ele é secretamente apaixonado por sua amiga de infância e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette).

Sem coragem para se declarar e frustrado com a própria incapacidade de se aproximar dela, Bear compra um misterioso objeto chamado “Salgueiro do Desejo” em uma loja que vende toda sorte de quinquilharias New Age, como cristais energéticos.

Bear então faz um desejo: quer que Nikki se apaixone incondicionalmente por ele. E o desejo simplesmente se realiza.

O problema é que esse amor rapidamente se transforma em uma possessão doentia.

Não vou me deter nos temas mais evidentes do filme. Muitos já devem ter comentado, melhor do que eu, sobre o filme ser uma metáfora da perda de autonomia e do sofrimento psicológico dentro de um relacionamento tóxico, sobre a confusão entre obsessão patológica e amor ou sobre a idealização da necessidade de afeto.

Tudo isso está lá. Mas, para mim, o filme toca em uma questão muito mais antiga e, sobretudo, teológica: o fato de nosso desejo ser míope e desordenado.

Bear conseguiu exatamente aquilo que pediu, mas não sabia, de fato, o que estava pedindo.

Ele chama de amor aquilo que, na realidade, é simples vontade de possuir. Ele quer ser amado, mas não quer que Nikki seja livre para amá-lo.

Ao “garantir o amor dela”, elimina, paradoxalmente, justamente aquilo que torna o amor possível: a liberdade.

Esse é, para mim, o aspecto mais interessante de Obsessão. O “Salgueiro do Desejo” acaba revelando a desordem interior de quem deseja. Bear recebe exatamente aquilo que imagina querer e descobre, da pior maneira possível, que seu desejo apenas refletia sua corrupção.

Essa é uma ideia profundamente presente nas melhores tradições religiosas (não vou nomeá-las): queremos o bem, mas queremos possuí-lo à nossa maneira, segundo nossa própria vontade e nossa natureza decaída. Se possível, sem esforço.

Não é à toa que as piores tradições religiosas (também não vou nomeá-las, meu advogado não deixa) que trabalham com encantamentos, amarrações, feitiçaria, magia manipulativa ou formas de teurgia orientadas pelo ego frequentemente são vistas como demoníacas. Pois, de fato, são.

O demoníaco aparece justamente onde não existe submissão, seja à vontade divina e à ordem do cosmos, seja à vontade e à liberdade do outro.

A premissa de Obsessão se aproxima bastante da de outro filme de terror maravilhosamente “moralizante” e gore: Wishmaster, de 1997.

Nele, um Djinn concede os desejos daqueles que o invocam, mas interpreta cada pedido de maneira literal e perversa, transformando aquilo que deveria ser uma dádiva em um pesadelo.

Tanto Wishmaster quanto Obsessão partem, portanto, de uma mesma verdade: talvez nosso desejo não seja desejável.

Bear consegue exatamente o que pediu. E esse é justamente o seu inferno.

Às vezes, nosso pior castigo é ter nossas vontades atendidas.

Santo Agostinho já expressa uma ideia sapiencial ao dizer que, em sua cólera, Deus pode conceder aquilo que pedimos e, em sua misericórdia, negar-nos aquilo que desejamos.

Em suma, Deus nos livre da nossa própria vontade.

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