Local 58 é um experimento visual de terror analógico (pioneiro neste subgênero) criado pelo escritor e cartunista Kris Straub. O projeto, apresentado no formato de uma websérie disponível no YouTube, simula a programação de uma emissora de TV aberta fictícia chamada Local 58, cujo prefixo é WCLV-TV e que estaria localizada no Condado de Mason, na Virgínia Ocidental.
O que vemos são diferentes vinhetas e transmissões desse canal, ambientadas entre os anos 1930 e os anos 2000. São mensagens bizarras, crípticas, assustadoras e surreais, como se a programação normal de uma emissora tivesse sido atravessada por algum tipo de sinal anômalo vindo de outro lugar.
Eu chamo Local 58 de experimento visual de terror analógico porque não existe propriamente uma história clara e definida. É quase uma obra de arte plástica. Em vez de acompanhar personagens ou uma narrativa convencional, somos colocados diante de uma sequência de imagens e situações inquietantes, nas quais a atmosfera é muito mais importante do que qualquer explicação.
Sabemos muito pouco do que está acontecendo.
A única coisa que podemos concluir é que existe algo estranho envolvendo a Lua, como se ela estivesse viva, consciente ou de alguma forma observando a Terra. Mas nada disso é explicado de maneira conclusiva. Não há personagens conversando para nos contar o que está acontecendo, nem uma exposição tradicional que organize os acontecimentos. Há apenas uma justaposição de imagens que, à primeira vista, parecem banais, mas que aos poucos começam a adquirir alguma coisa de profundamente errada.
O horror não aparece necessariamente naquilo que vemos, mas naquilo que imaginamos e na distorção daquilo que deveria ser familiar.
A escolha de apresentar esse terror por meio de transmissões televisivas é particularmente interessante. A televisão antiga fazia parte do ambiente doméstico e, de certa maneira, representava segurança, conforto e normalidade. Era através dela que assistíamos a desenhos, programas de entretenimento e recebíamos notícias confiáveis.
Quando essa mesma tela começa a transmitir mensagens estranhas, alertas misteriosos e instruções aparentemente sem sentido como “não olhe para a Lua”, essa sensação de segurança é corrompida.
Além do conteúdo, a forma também aparece corrompida.
Straub reforça essa sensação utilizando a estética de antigas fitas VHS danificadas, com imagens granuladas, interferências, chiados, distorções e cortes abruptos no áudio.
A impressão produzida por essa escolha é a de estarmos assistindo a fitas descartadas, encontradas no porão de algum estúdio abandonado. Registros de uma programação que deveria ter sido esquecida, mas que, por alguma razão, acabou chegando até nós.
Se você quiser assistir, vale a pena. A experiência completa não demora nem 30 minutos.
