A Bleak King Cometh é o álbum de estreia do trio experimental britânico-americano Qasu, formado por Aldous Daniken na guitarra, Rahsaan Sagan nos vocais e na programação eletrônica, e Nikhil Talwalkar na bateria.

Trata-se de um disco que funde Doom Metal, Black Metal, psicodelia, industrial, techno, percussão de taiko, new wave, drone, noise e dark ambient.

À primeira impressão, o álbum pode soar como apenas mais um exercício de experimentalismo disperso e pouco memorável. No entanto, à medida que a audição avança, esses elementos inicialmente fragmentados passam a se articular de forma coesa, organizando-se em torno de uma atmosfera que se adensa progressivamente em uma espécie de psicodelia sombria e ritualística.

Não é um disco de fácil assimilação. Você precisa se deixar sequestrar pelo turbilhão caótico de riffs, ruídos industriais, texturas granuladas, ambiências opressivas e urros indistinguíveis.

Trata-se de uma obra que privilegia a imersão.

Não espere músicas organizadas em torno de refrões memoráveis ou progressões tradicionais. O álbum trabalha com tensão acumulativa, repetição hipnótica e variações tímbricas. Em vez de conduzir o ouvinte por narrativas lineares, constrói paisagens cinzentas e arqueofuturistas, para usar uma expressão da própria banda. Cada faixa funciona como um ambiente instável de beleza cataclísmica. Sim, eu vejo beleza neste disco.

A experiência estética parece emular ruínas desmoronando sobre você. No entanto, o caos é apenas aparente. Por trás dele existe um desenho minucioso e distante de melodia, quase imperceptível. Quando finalmente se revela, porém, produz momentos de beleza singular. Essa tensão dialética e desequilibrada entre muito caos e pouca ordem é o que sustenta o álbum e o impede de se reduzir a um mero exercício de arbitrariedade. É justamente nessa fricção que reside sua força estética.

Enfim, A Bleak King Cometh não busca agradar de imediato. É um disco que exige disposição para atravessar desconforto e ambiguidade. Ao recusar fronteiras rígidas entre gêneros e ao tratar o ruído como matéria expressiva legítima, o Qasu entrega um trabalho que se destaca não apenas pela ousadia, mas também pela consistência.

Faixa favorita: An Orchard of Bone Flutes.

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