The Hirsch Effekt é uma banda alternativa alemã que, possivelmente, você nunca tenha ouvido falar.
Descobri essa banda pesquisando os lançamentos de heavy metal deste ano (2026, ano em que escrevo esta resenha) e me deparei com um disco chamado Der Brauch.
O que me chamou atenção, de imediato, foi a capa, que me pareceu, no mínimo, emblemática.
É uma arte interessante, conceitual, mas que claramente foi feita com o uso de IA. Curiosa o suficiente para despertar meu interesse, mas não a ponto de gerar grandes expectativas.
No fim, essa capa acabou sintetizando bem a sensação que tive ao ouvir o disco: um misto de satisfação e apatia.
Saber que a banda flerta com o progressivo foi o fator decisivo para colocá-la, especialmente este disco, no meu radar. Ainda assim, dificilmente será algo que eu vá incluir nas minhas playlists.
Não que seja ruim, longe disso, mas é um trabalho que, para mim, não acrescentou muita coisa.
Acabei de ouvir o álbum e confesso que já esqueci boa parte dele.
Como o próprio nome da banda e do disco sugere, as músicas são cantadas em alemão.
Ao longo da audição, fui percebendo que a banda se desenvolve como um dodecaedro de ideias complexas. Há influências de metalcore (bem sutis), art core, música pop e metal progressivo.
É um disco marcado por dualidades e contrastes, que combina elementos folk com riffs robustos, dissonantes e pesados.
A qualidade técnica do álbum é inegável.
Trata-se de um trabalho bastante técnico e, em certa medida, melódico.
Há belíssimos dedilhados acústicos que, na minha opinião, poderiam ser melhor explorados.
Outro ponto interessante é a imprevisibilidade das faixas. As músicas estão repletas de mudanças, passagens e ideias inusitadas que surgem dentro de uma mesma composição.
Existe aqui um repertório muito rico de boas ideias.
No entanto, o que falta ao disco, ao meu ver (e isso pode mudar completamente numa revisita, como já aconteceu outras vezes), é justamente a capacidade de articular essas ideias com mais naturalidade.
Talvez o problema não esteja na quantidade de boas ideias, mas na forma como elas se conectam.
O único momento realmente memorável do álbum, aquele que chegou a me fazer reconsiderar minha impressão geral, está na faixa Der Doppelgänger, que apresenta excelentes passagens mais pesadas.
No restante, há trechos muito bem executados, interessantes e até instigantes, mas que, no fim, acabam sendo pouco memoráveis.
Talvez, com o tempo, eu volte a este disco e o enxergue de forma mais generosa.