The Unexpected Guest é o segundo álbum de estúdio do Demon, lançado em 1982.
É uma das pequenas joias da New Wave of British Heavy Metal e também o maior sucesso comercial da carreira da banda.
O disco ocupa um lugar interessante dentro daquela cena porque não é exatamente um álbum de Heavy Metal tradicional. Há bastante Hard Rock melódico e AOR, mas tudo é atravessado por uma atmosfera sombria que confere ao conjunto uma personalidade muito própria.
O Demon explora temas como ocultismo, possessão, insanidade e outras obsessões desse imaginário sombrio e juvenil.
Os teclados aparecem em vários momentos, ora criando uma atmosfera tétrica, ora assumindo uma função mais melódica. As guitarras de Mal Spooner e Les Hunt equilibram peso e melodia com naturalidade, alternando riffs à la Hard Rock, bases marcantes e solos bem executados.
É curioso perceber como The Unexpected Guest é recebido pelas gerações mais novas. A comparação com o Ghost aparece com frequência, e é fácil entender de onde ela vem. Temos uma banda falando de diabo, ocultismo e outras imagens sombrias, mas fazendo isso por meio de um rock bastante melódico, cheio de refrões fáceis de guardar.
A diferença é que o Demon já estava fazendo isso décadas antes.
O disco parece um grande amálgama de influências. Existe muito do Hard Rock dos anos 1970, principalmente de bandas como UFO, Uriah Heep, Scorpions e Nazareth, mas também há a presença do Judas Priest e de toda aquela transição em direção ao Heavy Metal que estava acontecendo naquele momento.
E então temos “Don’t Break the Circle”, provavelmente o grande momento do álbum. A música acabou se transformando no maior hino do Demon e permaneceu no repertório da banda nos shows ao vivo ao longo de anos. Em 1989, ganhou uma nova vida quando foi regravada pelo Blind Guardian em Follow the Blind, o que ajudou a apresentar a composição para uma geração que talvez nunca tivesse chegado ao Demon por conta própria.
Eu gosto de praticamente tudo aqui. Tenho um carinho especial pela faixa “The Spell”, mas talvez o que mais me agrade em The Unexpected Guest seja justamente a maneira como ele consegue juntar tantas referências diferentes sem parecer simplesmente uma colagem de influências.
Não colocaria o disco no mesmo patamar de The Number of the Beast, Screaming for Vengeance ou Restless and Wild. Mas também não acho que precise estar.
The Unexpected Guest é um daqueles discos que ajudam a entender por que a New Wave of British Heavy Metal foi uma cena tão interessante. Nem tudo precisava soar como Iron Maiden ou Judas Priest. Havia espaço para bandas que pegavam o Heavy Metal, o Hard Rock, o AOR e uma boa dose de estranheza e faziam alguma coisa própria com isso.
É um disco que eu gostaria de ver sendo lembrado com mais frequência.
